Relíquia revela segredos de rei Ricardo II

Pesquisadores que separavam objetos em caixas há muito tempo fechadas, na National Portrait Gallery de Londres, descobriram na semana passada relíquias que estavam no caixão do rei medieval Ricardo II (1367-1400). Também foram achados desenhos detalhados do crânio do soberano, que poderão ser usados para criar uma imagem fiel do deposto.

Mark Brown, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2010 | 00h00

Os pesquisadores ficaram surpresos com a descoberta do arquivo do diretor fundador da galeria, Sir George Scharf. "Foi uma grande surpresa", disse Krzysztof Adamiec, o arquivista assistente que fez a descoberta. Segundo ele, essas relíquias "no início pareciam tão simples quanto um maço de cigarros vazio", acrescentando que "quando abrimos encontramos tiras de couro e pedaços de madeira. Foi algo emocionante - um dos maiores prazeres deste trabalho é você sentir literalmente que está tocando a história".

A madeira provavelmente seria do caixão de Ricardo II, mas há evidências convincentes de que o couro é de sua luva.

Scharf assumiu a galeria logo após sua fundação, em 1857. Depois de um trabalho de detetive, Adamiec conseguiu relacionar as relíquias encontradas no arquivo com a decisão, em 1871, de se abrir o túmulo de Ricardo II na Abadia de Westminster.

O objetivo era limpar a tumba, mas os responsáveis decidiram que o caixão deveria ser aberto para tentar se estabelecer como o rei morreu em 1400 - depois de ser deposto por Henrique IV - e se sua morte foi causada por uma machadada na cabeça.

Não foi. Sir Scharf, testemunha entusiasta decidiu guardar algumas lembranças, o que hoje seria muito mal visto, mas algo que "um gentleman vitoriano" podia fazer. Com certeza, ele era um colecionador. Os pesquisadores encontraram também no arquivo uma pequena pedra tirada do túmulo de lorde Macaulay, um pedaço de uma moldura de uma pintura de Rafael e um fragmento de uma tela de Van Dyck.

O arquivo contém um vasto material, algo como 230 livros de anotações e de desenho, que a galeria está terminando de catalogar. Para Adamiec, "Scharf era um homem muito meticuloso; registrou tudo. Fazia anotações diariamente sobre o tempo, a direção do vento, o que tinha comido, quem tinha encontrado".

Nascido em 1820, Scharf, herdou o amor pelo desenho de seu pai, que o levava em expedições para esse fim, incluindo uma em 1834, às ruínas do Palácio de Westminster, depois de um incêndio devastador, também documentadas em diversas pinturas de JMW Turner. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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