Remarcação de eleições acalma crise política no Paquistão

A crise política que atingiu oPaquistão parecia ter se estabilizado nesta quinta-feira,quando os partidos já se preparavam para as eleições, adiadaspara o dia 18 de fevereiro, depois do assassinato da líderoposicionista Benazir Bhutto. Não foram registrados protestos contra o adiamento,anunciado na quarta-feira, apesar das objeções dos doisprincipais partidos da oposição, que queriam que o pleito fosserealizado na data prevista, 8 de janeiro. "Os incidentes de violência se reduziram, nesse sentidopode-se dizer que a situação melhorou", disse o analistapolítico e ex-ministro Shafqat Mahmood. "Mas as questões quedividem o país permanecem, e a figura que causa mais discórdiaé a do próprio Musharraf", disse ele, referindo-se aopresidente Pervez Musharraf, que governa o país desde 1999,quando tomou o poder em um golpe militar. O assassinato da carismática ex-premiê e os protestosviolentos que se seguiram a ele suscitaram dúvidas sobre aestabilidade e a transição do Paquistão para o governodemocrático. Além de possuir armas nucleares, o país é umaliado crucial da a guerra contra o terrorismo promovida pelosEstados Unidos. Musharraf cedeu à pressão para permitir uma investigaçãointernacional do assassinato. Ele disse em pronunciamento à TVter certeza de que militantes da Al Qaeda estão por trás docrime. Benazir tinha prometido reprimir a militância e já haviasido ameaçada por líderes do grupo. Muitos paquistaneses, entretanto, acreditam no envolvimentode inimigos políticos de Benazir Bhutto, e cresce a hostilidadecontra Musharraf. "Eu defendia o presidente, mas agora o queele fez com o PPP (Partido do Povo do Paquistão, de Bhutto) foipéssimo. Vou votar no PPP", disse David Bernard, gerente daUnilever em Karachi. Musharraf, cuja reeleição, em outubro, ainda é questionadapela oposição, vai precisar de apoio na próxima legislatura, edeve tentar se aproximar do PPP, segundo analistas. Mas nãoserá fácil. "A revolta com a morte de Benazir Bhutto permanecerá pormuito tempo", observou Mahmood. Ela foi morta em um ataquesuicida a tiros e a bomba quando deixava um comício, na semanapassada. (Reportagem adicional de Zeeshan Haider e Simon Gardner)

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