Remetente das cartas com antraz deve ser norte-americano, suspeita FBI

O FBI, a polícia federal norte-americana, está cada vez mais convencido de que o remetente das cartas contaminadas com esporos (a bactéria adormecida) de antraz é um norte-americano não-muçulmano, informou ontem a rede de TV CBS. No entanto, como o FBI não sabe quem pode ser, iria revelar hoje à noite numa entrevista à imprensa, detalhes da letra nas mensagens encontradas nas correspondências, na esperança de que alguém identifique o terrorista.Depois de alguns dias sem novas suspeitas de contaminação por antraz, hoje o serviço postal dos EUA informou que a substância foi encontrada em quatro novas unidades do correio em New Jersey. Não há informações sobre novos casos de contaminação. Até agora, 17 pessoas contraíram a enfermidade, das quais quatro morreram.Os especialistas, segundo fontes ouvidas por essa emissora americana, concluíram que dois erros de ortografia nas correspondências eram intencionais. O perfil que eles traçaram indica tratar-se de um homem maduro, provavelmente nascido no país e relativamente educado. As autoridades não descartam a idéia de que essa pessoa esteja vinculada à rede terrorista de Osama bin Laden, mas deixaram claro que essa hipótese não é a principal."Eles estão avaliando a possibilidade de que seja um indivíduo nascido aqui, talvez um tipo paranóico-lunático", comentou um ex-perito em elaboração de perfis no FBI, Gregg McCrary. Provavelmente alguém como o Unabomber, o terrorista solitário que enviava cartas-bombas. Ele foi descoberto depois que o próprio irmão reconheceu sua letra num manifesto de 35 mil palavras publicado pelos jornais.O diário The New York Times destacou hoje que o FBI tropeçou em vários momentos da investigação sobre o ataque bacteriológico e pode ter perdido oportunidades de colher evidências valiosas porque seus profissionais não conseguiram compreender rápida e completamente a complexidade do caso. A polícia federal norte-americana foi alvo esta semana de críticas ásperas no Congresso, pela falta de progresso na investigação.Vários de seus funcionários admitiram em entrevistas à imprensa ter precisado consultar peritos para prosseguirem na investigação. Um dos erros cometidos pelo FBI foi o de não ter imposto objeções à destruição de uma variedade de amostras de antraz na Universidade de Iowa. Alguns cientistas dizem que esse material poderia conter informações genéticas importantes.Além disso, investigadores não visitaram muitas empresas, laboratórios e instituições acadêmicas com equipamentos capazes de fabricar o antraz potente enviado em uma carta para o senador Tom Daschle. Somente esta semana, mais de um mês depois da primeira das quatro mortes causadas por inalação de esporos, o FBI pediu aos laboratórios que enviassem os nomes de todos os trabalhadores e pesquisadores que tinham sido vacinados contra antraz.Leia o especial

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