Renasce o temor dos rebeldes do Cáucaso

Renasce o temor dos rebeldes do Cáucaso

Nina Ivanovna, uma aposentada de 57 anos, não estava esperando para ouvir o que os investigadores tinham para dizer. Ela fitou friamente a escada da estação de Lubyanka, onde passageiros feridos e gemendo fugiam do caos do atentado suicida, e sentenciou: "São os chechenos. Eles nunca vão nos deixar viver em paz. (O escritor Alexander) Soljenitsin disse corretamente que nós devíamos construir uma grande muralha, como a da China. para mantê-los longe. Eles deviam ser cercados. Eles nos odeiam, e sempre nos odiarão."

Cenário: Ellen Barry / NYT, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

Durante os seis anos desde o último atentado suicida no metrô, os moscovitas imaginavam-se confortavelmente isolados da guerra de guerrilhas no Cáucaso. Eles perderam os reflexos nervosos de uma década atrás, quando russos se recusavam a entrar em aviões ao lado de uma mulher com véu ou esperavam pelo último vagão do trem, pois supunham que atentados ocorreriam no da frente. Esse medo remodelou o Estado russo no início desta década. Vladimir Putin, então presidente, usou a ameaça terrorista para justificar uma forte consolidação de poder e recebeu o crédito de ter posto fim a anos de violência.

No ano passado, houve um forte crescimento dos choques entre forças do governo e militantes na Chechênia, Daguestão e Ingushétia. Em novembro, veio o primeiro grande ataque fora do Cáucaso em anos, quando uma bomba matou 26 pessoas no trem que seguia de São Petersburgo para Moscou.

Há poucas semanas, forças federais realizaram uma série de ataques e afirmaram haver matado duas figuras importantes da insurgência. Alguns espectadores do atentado de ontem disseram que estava claro o que era preciso: repressão. "Nos tempos soviéticos não havia atentados suicidas", disse Tamerlan Khaloyev, um professor aposentado de 69 anos, da região caucasiana da Ossétia do Norte, "Stalin dava um jeito neles."

Depois, Khalovev virou-se saudoso para o montinho de terra no centro da praça que durante décadas abrigou uma enorme estátua de Feliks E. Dzerchinski, o fundador da polícia secreta bolchevista. Em 1991, uma multidão anticomunista exultante derrubou o monumento. Se ele ainda estivesse vivo, disse Khaloyev, "nada disso estaria ocorrendo".

CORRESPONDENTE DO "NEW YORK TIMES"EM MOSCOU

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