Renúncia de Al-Jaafari abre procura por novo premier para o Iraque

Cedendo a pressões, o primeiro ministro Ibrahim al-Jaafari concordou nesta quinta-feira em permitir que legisladores xiitas votem novamente para escolher o novo líder de governo. A mudança de Al-Jaafari parece marcar uma ruptura na luta pela formação de um governo para tentar frear a anarquia no país e permitir aos EUA trazer de volta os cerca de 130 mil marines que lá estão. "A única coisa que não posso comprometer é minha dedicação a esse povo heróico", disse o premier em pronunciamento televisivo. "Não posso me permitir ser obstáculo, ou parecer ser um obstáculo a isso. Quero estar assegurado sobre o caminho da aliança, que representa a vontade do povo." Al-Jaafari afirmou que concordou com o novo voto para que seus companheiros legisladores shiitas "possam pensar com liberdade total e ver o que eles querem fazer". A aliança shiita, o maior bloco no parlamento, deve agora escolher um substituto em um meio em que falta poder e estatura - levantando questões sobre a capacidade do novo premier em combater a violência sectária e a brutal insurgência. Líderes da aliança deverão se encontrar na sexta-feira para nomear alguém. Se os representantes dos sete partidos da aliança não chegarem em um consenso sobre um único nome, eles selecionarão vários candidatos para que o bloco xiita - composto por 130 parlamentares - escolha no sábado. Não ficou claro por que al-Jaafari abandonou a nomeação. Ele insistiu na quarta-feira que o abandono estava "fora de questão". Em um pronunciamento, al-Jaafari disse estar "pronto para me sacrificar em qualquer posição de responsabilidade a serviço de nosso povo". Ele acrescentou que aguardará pela decisão da aliança para o bem da unidade xiita. No entanto, o político curdo Mahmoud Othman afirmou que a mudança de opinião de Al-Jaafari foi causada pelo encontro, realizado na cidade sagrada de Najaf, entre o enviado das Nações Unidas Ashraf Qazi e os dois maiores clérigos xiitas, al-Sadr e o grande aiatolá Ali al-Sistani. "O encontro com al-Sistani e al-Sadr foi a grande razão do desatamento dos nós", disse Othman à Associated Press. Assistentes de al-Sistani, líder espiritual da aliança, disseram que o aiatolá estava frustrado com o impasse na formação de um novo governo e alarmado com o crescimento da violência sectária no país. Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, afirmou que há "indícios" de que o impasse pode ser resolvido. Ele pediu uma forte e efetiva unidade governamental que possa "começar a reembolsar a trégua imposta aos partidos políticos e os líderes políticos pelo povo iraquiano". Sunitas e Curdos culpam al-Jaafari pelo crescimento da tensão sectária e pela falha em não consultar seus parceiros de coalizão. Com a aproximação de uma resolução sobre a escolha do premier, políticos sunitas e curdos expressam otimismo na formação rápida de um novo governo. Os nomes mais freqüentemente mencionados como possíveis sucessores incluem dois membros do partido Dawa, de al-Jaafari: Ali al-Adeeb e Jawad al-Maliki. Nenhum dos dois é muito conhecido entre os iraquianos, e nenhum tem ampla experiência em administrar governos. Al-Maliki, que fugiu do Iraque na décade de 1980 e exilou-se na Síria, é considerado muito mais preocupado com o sectarismo do que al-Jaafari. Já Al-Deeb viveu por muitos anos no Irã antes de retornar ao seu país após o colapso de Saddam Hussein, em 2003. O vice-presidente Adil Abdul-Mahdi está entre os xiitas mais capazes e experientes, mas é considerado improvável ao posto por causa de sua posição, dentro da aliança, contra a nomeação de um membro do maior partido, o Conselho Supremo para a Revolução Islâmica. Ele perdeu para al-Jaafari a eleição de fevereiro. Apesar do otimismo, muito pode continuar errado. Os partidos devem discutir como dividir os ministérios entre si - particularmente o da defesa, do interior e do petróleo. Quem chegar ao cargo de premier enfrentará enormes problemas, não só em lidar com violência sectária, insurgência armada e uma economia desintegrada como terá de liderar entre Abdul-Aziz al-Hakim e al-Sadr. Ambos vêm de duas das mais prestigiosas famílias xiitas, e cada um aspira pela liderança da maioria da comunidade xiita. Ambos possuem suas próprias milícias armadas, engajadas em uma intensa luta por poder em cidades xiitas localizadas ao sul de Bagdá.

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