Renúncia de chefe militar coloca premier de Israel em risco

A renúncia do chefe das Forças Armadas de Israel, devido à má atuação na guerra do Líbano, no ano passado, é mais um revés para o primeiro-ministro Ehud Olmert, já enfraquecido por um escândalo político. A oposição ao atual governo já se manifestou pedindo a antecipação das eleições e afirmando que o premier e o ministro da Defesa, Amir Peretz, deveriam deixar seus cargos.O chefe do partido direitista Likud no parlamento, Gideon Sa´ar, sugeriu na manhã desta quarta-feira que Olmert e Peretz façam o mesmo que Halutz e renunciem também, pois "não é certo que o chefe das Forças Armadas assuma a culpa pelos erros durante a guerra e seus chefes políticos continuem fugindo da responsabilidade".Um dos líderes dos protestos públicos, David Einhorn, pai de um dos soldados mortos no conflito, também exigiu que Olmert e Peretz "sigam os passos de Halutz".O deputado Efi Eitam, coronel da reserva e dirigente do Partido da União Nacional, de oposição, afirmou que "o povo perdeu a confiança nos políticos e nas forças armadas". "A renúncia do general Halutz é uma conseqüência inevitável do fracasso do conflito no Líbano e exemplo do que deve ser a responsabilidade pessoal quando isso ocorre", acrescentou.A presidente do bloco pacifista Meretz, Zahava Gal-On, declarou, após a renúncia de Halutz, que Olmert e Peretz "não têm estatura moral para designar o novo chefe das Forças Armadas".Segundo Gal-On, "a responsabilidade pelo fracasso do conflito não pode se restringir ao plano militar"."Os dirigentes políticos que adotaram decisões irresponsáveis como a de declarar guerra ao Líbano também devem ir para casa", afirmou.RenúnciaO primeiro-ministro "lamentou profundamente" a demissão do comandante, de quem recebeu uma carta no domingo comunicando a renúncia. Olmert, que elogiou Halutz por "seu valor e valentia em anos de serviços", decidiu agir rapidamente, junto do ministro da Defesa, Amir Peretz, para encontrar um sucessor. Porém, o general Halutz deverá continuar como interino até que seu sucessor seja designado.A imprensa israelense descreveu nesta quarta-feira a decisão do tenente-general Dan Halutz como um terremoto e especulou se isso provocará um efeito dominó que derrubará Olmert e o ministro da Defesa, Amir Peretz. "A investigação sobre Olmert e a renúncia de Halutz após a guerra do Líbano poderão abalar as fundações do governo", disse o analista político Hanan Crystal à Rádio Israel. A renúncia do ex-piloto foi anunciada horas depois do promotor-geral de Israel ter ordenado uma investigação criminal sobre o papel de Olmert na privatização do segundo maior banco do país em 2005, quando ele era ministro das Finanças. Ele foi acusado de favorecer dois amigos na compra de ações durante a desestatização do Banco Leumi.

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