Renúncia de dois ministros agrava crise política no Peru

Presidente Humala perde titulares das pastas da Defesa e do Interior após fracasso no combate às ações do Sendero

LIMA, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2012 | 03h08

Os ministros da Defesa e do Interior do Peru, Alberto Otárola e Daniel Lozada, renunciaram na noite de quinta-feira e agravaram a crise política que começou em abril, após o grupo guerrilheiro Sendero Luminoso sequestrar 36 trabalhadores da indústria petrolífera no Departamento (Estado) de Cuzco.

Os dois ministros foram muito criticados por causa do fracasso da operação para libertar os trabalhadores, na qual morreram oito militares. O Sendero, que libertou os trabalhadores após alguns dias, conseguiu derrubar helicópteros da polícia e emboscou os soldados.

No início da semana, a guerrilha matou mais um soldado em uma base no sul do país. O avanço do Sendero aumentou a pressão para que os ministros renunciassem. Eles deveriam comparecer hoje ao Parlamento para serem submetidos a um voto de confiança - acredita-se que a oposição já teria votos suficientes para derrubá-los.

Otárola e Lozada foram indicados para os cargos em novembro pelo presidente Ollanta Humala, que está viajando pela Ásia. Agora, o líder peruano terá pela frente a difícil missão de evitar a queda de Oscar Valdés, seu chefe de gabinete, que havia afirmado que se os dois ministros renunciassem, ele colocaria seu cargo à disposição.

Carmen Masías, coordenadora do programa antidrogas do Peru, disse ontem que, apesar das renúncias, a política peruana de combate ao narcotráfico continuará a mesma. "É uma questão de Estado", disse Carmen, durante viagem aos EUA - o governo Humala pretende erradicar até 85% do cultivo de coca em três anos.

Ressurgimento. Poderoso na década de 80, o Sendero Luminoso começou a ser desmantelado a partir de 1992, logo nos primeiros anos do governo de Alberto Fujimori. Seus remanescentes fugiram para regiões remotas do Peru, principalmente para lugares de cultivo de coca, como os vales dos rios Apurímac e Ene.

O sequestro dos 36 trabalhadores foi a maior ação da guerrilha desde 2003, quando 70 funcionários da empresa argentina Techint foram sequestrados em um campo de extração de gás natural. / REUTERS

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