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Renúncia de May empurra Reino Unido para abismo

Uma solução menos trágica teria sido viável, tivesse May a capacidade de conciliar os dois universos do Brexit: técnico e político

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2019 | 06h00

É uma quimera acreditar que a renúncia de Theresa May tornará o Brexit mais fácil. May fez o que pôde para encontrar um meio-termo entre posições incompatíveis. Agora, a perspectiva é que seu sucessor – seja ele Boris Johnson, Dominic Raab ou qualquer outro conservador – empurre o Reino Unido para mais perto do abismo.

Johnson afirmou que, se eleito líder do Partido Conservador, o país sairá da União Europeia (UE) em 31 de outubro, com ou sem acordo. Até lá, é impossível obter outro acordo, só o firmado por May. O significado da frase de Johnson é, portanto, outro: no poder, ele encara a saída da UE sem acordo, catastrófica para a economia.

Uma solução menos trágica teria sido viável, tivesse May a capacidade de conciliar os dois universos do Brexit: técnico e político. 

Ao forçar seu acordo goela abaixo do Parlamento como única opção, impediu uma negociação robusta sobre imigração, livre circulação de mão de obra, acesso a mercados, fronteira irlandesa e outros dilemas concretos.

Depois da hemorragia dos conservadores nas eleições europeias, ninguém será eleito líder do partido com um discurso brando. No mínimo, terá de ser contra Mercado Comum, união aduaneira, modelo norueguês e toda alternativa mais amena de Brexit. A reação é previsível. 

Oposição e partidários da permanência na União Europeia se unirão na tentativa de derrubar o governo e antecipar as eleições.

O embate se dará entre duas posições extremas: “no deal” (sem acordo) ou “no Brexit” (sem Brexit). Na primeira, a tragédia recairá sobre a economia britânica, com provável recessão e fuga de capitais. Na segunda, sobre a democracia, incapaz de corresponder à promessa e à vontade dos eleitores nas urnas.

BIOGRAFIA

Depois da prisão, Chelsea Manning anuncia livro

As novas denúncias da Justiça americana contra Julian Assange não mudaram os planos de Chelsea Manning, acusada de conspirar com ele para furtar centenas de milhares de documentos secretos publicados pelo WikiLeaks em 2011. Presa, condenada, depois perdoada por Barack Obama, Manning se recusou a colaborar com as autoridades nos interrogatórios que resultaram nas duas denúncias recentes. Voltou a ser detida e, libertada depois de dois meses na prisão, anunciou ter assinado um contrato para lançar um livro em 2020 relatando seu papel.

 

MONOPÓLIO

Droga mais cara do mundo enfrenta críticas

Com preço estimado entre US$ 1,5 milhão e US$ 5 milhões, a Zolgenzesma, da Novartis, deverá ser a droga mais cara do mundo quando aprovada. Promete curar, numa única dose, a atrofia muscular espinhal, uma doença genética rara que impede crianças de se movimentar, de se sentar e de respirar normalmente. Em geral, leva à morte antes dos 2 anos. A droga introduz uma espécie de vírus para corrigir os genes defeituosos. A incerteza sobre os efeitos adversos despertou críticas, atribuídas à Biogen, laboratório que fabrica há três anos a única outra droga disponível contra a doença (o tratamento custa US$ 750 mil no primeiro ano, depois US$ 375 mil anuais).

 

EVIDÊNCIAS

Estudo relaciona acne, educação e remuneração

Espinhas no rosto durante a adolescência estão associadas a notas boas em matemática, história, ciências, idiomas e à obtenção de diploma universitário, revela um estudo no Journal of Human Capital. “Encontramos também evidências de que a acne está associada a maior remuneração para mulheres no mercado de trabalho”, escrevem os autores.

 

NOVA LÍNGUA

De ‘Star Wars’ ao idioma de ‘Game of Thrones’

Os idiomas da série Game of Thrones, ou línguas valirianas, foram criados pelo americano David Peterson. Têm mais de 600 páginas de gramáticas, dicionários, dialetos e versões correspondentes às diferentes populações. Peterson contou ter começado a estudar linguística ao ficar irritado com um episódio de Star Wars em que personagens balbuciavam sons sem sentido para simular idiomas nativos. Outras línguas próprias já haviam sido criadas para obras de ficção: Elvish (O Senhor dos Anéis), Klingon (Star Trek) e Na’vi (Avatar).

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