Renúncia de Olmert pode paralisar negociações de paz

O turbilhão político provocado pela decisão do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmet, de renunciar em setembro, pode paralisar as atuais negociações de paz para o Oriente Médio, apoiadas pelos Estados Unidos. O premiê declarou hoje que não concorrerá às eleições primárias do seu partido, o centrista Kadima, que deverão ocorrer em 17 de setembro, e renunciará logo em seguida "para permitir que o novo dirigente seja eleito (premiê) e forme de maneira rápida e eficiente um novo governo." Mas a movimentação política provocada pela decisão poderá tornar mais difícil para Olmert fechar acordos de paz, tanto com os palestinos quanto com a Síria, pactos que líderes políticos israelenses muito mais fortes não conseguiram fechar durante décadas. Apesar do anúncio, o premiê reafirmou que trabalhará pela paz "enquanto eu estiver no cargo," e afirmou que as conversações de paz com os palestinos e a Síria estão "mais próximas do que nunca" em direção ao entendimento.Sua decisão de não concorrer às eleições internas de 17 de setembro no Kadima coloca em movimento o processo para a escolha de um novo primeiro-ministro. Se o sucessor de Olmert como líder do partido puder formar uma coalizão, Israel poderá ter um novo governo já em outubro. Se não puder, as eleições deverão ser antecipadas e o processo poderá levar vários meses. Os principais candidatos para as primárias no Kadima são a ministra do Exterior, Tzipi Livni, e o ministro dos Transportes, Shaul Mofaz, que foi ministro da Defesa e chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. As pesquisas indicam que Livni tem vantagem nas primárias. Se ela substituir Olmert, será a segunda mulher a ser premiê de Israel, após Golda Meir.AcusaçõesO curto anúncio de Olmert incluiu duras críticas à polícia israelense, que conduz investigações de corrupção contra ele. Ele negou várias vezes ter feito qualquer coisa errada enquanto esteve no poder, mas ameaçou renunciar se fosse indiciado. A popularidade de Olmert mergulhou para 20%, após a sua sangrenta e inconclusiva guerra contra o grupo Hezbollah no Líbano, em 2006, e uma série de acusações de corrupção e interrogatórios da polícia nos meses mais recentes.

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