Renúncia de premier do Timor não supera crise, diz ministro australiano

O ministro de Assuntos Exteriores australiano, Alexander Downer, afirmou que a renúncia do primeiro-ministro do Timor Leste, Mari Alkatiri, como exigem soldados que se rebelaram, só aumentará a instabilidade no país.Para muitos timorenses, Alkatiri é o culpado da grave crise que o Timor Leste vive desde abril, devido a seu nepotismo ao promover oficiais do Exército procedentes do leste do país em detrimento dos do oeste, região da maioria dos sublevados.Downer afirmou à televisão local Channel Seven que a renúncia de Alkatiri não resolverá necessariamente o conflito, já que o partido do primeiro-ministro, o Fretilin, tem uma clara vantagem no Parlamento."É uma vantagem substancial no Parlamento, e se fosse forçado de alguma forma a renunciar, particularmente por forças externas, considero que só serviria para desestabilizar mais ainda o país", acrescentou Downer.Downer também pediu às Nações Unidas que aumentem sua participação no Timor Leste e que assumam o controle sobre as forças policiais na ilha, embora reconheça que isto levará semanas para ser feito."É necessário aprovar uma nova resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não espero que isso seja feito em cinco ou seis semanas", afirmou o ministro australiano.Contingente portuguêsCentenas de timorenses receberam com festa as forças policiais portuguesas que chegaram ao Timor Leste com a missão de pacificar a ex-colônia portuguesa, em cuja capital ocorreram novos atos de violência.O contingente, composto por 120 efetivos da Guarda Nacional Republicana (GNR), chegou a Baucau, a segunda cidade do país, cem quilômetros a leste de Díli, para onde se dirigem para serem recebidos no palácio do governo.Os militares portugueses foram recebidos no aeroporto de Baucau pelo novo ministro da Defesa, José Ramos Horta, que também ocupa o Ministério de Exteriores, e pelo chefe do Exército, Taur Matam Ruak.Os efetivos portugueses são esperados com grande expectativa em Díli e considerados uma presença vital para garantir a segurança na capital timorense, onde 70 mil pessoas vivem há semanas em dezenas de acampamentos de refugiados com medo de voltarem para suas casas.A segurança da cidade está sob controle do Exército da Austrália, a maior das forças estrangeiras, e da Malásia, encarregadas de controlar os principais postos de combustível de Díli.Unidades dos dois Exércitos fizeram várias detenções na área de Comoro, perto do aeroporto, onde algumas casas foram incendiadas por grupos rivais. Em Comoro, um dos bairros mais atingidos pela violência, está localizado o seminário de Dom Bosco, que se tornou o maior centro de refugiados de Díli com 13 mil pessoas.

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