Khaled Abdullah/Reuters
Khaled Abdullah/Reuters

Renúncia de presidente do Iêmen não livra país da instabilidade

Filho de Saleh continua no comando de tropas de elite, em guerra com rivais na capital Sanaa

BBC

23 de novembro de 2011 | 20h48

LONDRES - O acordo assinado nesta quarta-feira, 23, pelo presidente do Iemen, Ali Abdullah Saleh, que prevê sua saída do cargo no próximo mês de fevereiro, não estanca o conflito no país árabe nem afasta o perigo de instabilidade política.

 

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Após meses resistindo aos manifestantes que tomaram parte da capita, Sanaa, Saleh acabou assinando na Arábia Saudita um acordo costurado pelos países do Golfo Pérsico para por fim à crise.

A paz, no entanto, não é um sonho de implementação imediata no país. Ainda que Saleh siga para o exílio, analistas preveem que seu filho, Ahmed Ali, continue no Iêmen, no controle da Guarda Republicana, corpo de elite das forças de segurança do país.

Partes da capital iemenita, no entanto, estão sob controle de forças rivais, lideradas pelo general Ali Mohsin e a família Ahmar. Enfrentamentos entre os dois grupos deixaram dezenas de mortos em Sanaa nos últimos meses.

Os iemenitas estão ansiosos para ver como as forças opositoras comandas por Mohsin e os irmãos Ahmar irão reagir nas próximas semanas, se irão aderir ao projeto de transição.

O acordo prevê que o vice de Saleh, Abdrabuh Mansur Hadi, assuma o controle do processo. Saleh, no entanto, seguirá como presidente honorário do Iêmen pelos próximos 90 dias.

Instabilidade

Ainda que as facções rivais da elite do Iêmen concordem em baixar as armas, a falta de confiança entre políticos da situação e os da oposição pode ser impossível de ser superada.

O registro dos eleitores também está desatualizado e pode não haver tempo para a organização das eleições previstas. Ainda há que se fazer concessões a separatistas do sul e rebeldes Houthi no norte do país.

Os jovens opositores, que tomaram as ruas em fevereiro, também não dão mostras de que vão desmontar o acampamento instalado no centro de Sanaa, na agora chamada "Praça da Mudança".

A cláusula do acordo que prevê imunidade a Saleh e seus aliados irritou os jovens ativistas, que também discordam da manutenção de poder nas mãos de políticos tradicionais durante a transição, uma vez que consideram tais políticos beneficiários do regime de Saleh. 

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