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Renúncias de ministros se sucedem no Líbano, onde a indignação persiste

Protestos nas ruas de Beirute pressionam cada vez mais a cúpula no governo e deixa em aberto o futuro da política nacional

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 12h06


BEIRUTE - Mais dois ministros do Líbano renunciaram nesta segunda-feira, 10, enfraquecendo ainda mais a cúpula do governo. Protestos de rua pressionam a classe política do país há dias, responsabilizando-a pelas explosões que devastaram o porto de Beirute, deixando 160 mortos e mais de 6 mil feridos, além de desaparecidos.

Diante da magnitude da tragédia e da raiva de uma população cansada, o ministros das Finanças, Ghazi Wazni, e a ministra da Justiça, Marie-Claude Najm, anunciaram nesta segunda-feira, 10, suas renúncias, o que eleva a quatro os pedidos de demissão de integrantes do Executivo após a tragédia.

No domingo, 9, a ministra da Informação, Manal Abdel Samad, e o ministro do Meio Ambiente, Damianos Kattar, deixaram o governo. Nove deputados também renunciaram aos cargos.

"A renúncia de ministros não é suficiente. Eles devem ser responsabilizados", disse Michelle, uma jovem manifestante que perdeu uma amiga na explosão. "Queremos um tribunal internacional que nos diga quem os matou, porque eles (os líderes políticos) vão encobrir o caso".

Futuro político indefinido

A renúncia de até sete ministros significaria a dissolução do atual governo, mas o primeiro-ministro Hassan Diab afirmou que estaria disposto a permanecer dois meses no cargo até a organização de eleições antecipadas em um país dominado pelo movimento armado do Hezbollah, um aliado do Irã e do regime sírio de Bashar al-Assad.

Durante as manifestações de sábado e domingo, reprimidas pelas forças de segurança, os manifestantes pediram "vingança" contra a classe política totalmente desacreditada após a tragédia em um país já atingido por uma crise econômica sem precedentes agravada pela epidemia de covid-19.

Eleições antecipadas não são uma das principais reivindicações das ruas, já que o Parlamento é controlado por forças tradicionais que elaboraram uma lei eleitoral cuidadosamente calibrada para servir aos seus interesses.

"Todos significa todos", proclamaram nos últimos dois dias os manifestantes, apelando à saída de todos os dirigentes. Efígies de muitos deles, incluindo de Michel Aoun e Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, foram penduradas em forcas durante os protestos.

"Há apenas uma pessoa que controla este país, é Hassan Nasrallah", afirmou um dos nove deputados que anunciou sua renúncia, Nadim Gemayel. "Para eleger um presidente, nomear um primeiro-ministro (...) você precisa da autorização de Hassan Nasrallah"./ AFP

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