Reocupação israelense aumentará resistência, diz líder palestino

A decisão israelense de reocupar militarmente as principais cidades da Cisjordânia, com a exceção de Jericó, representa uma violação permanente dos acordos de Oslo, que retirará o poder efetivo da Autoridade Palestina (AP) e levará a um aumento da resistência. A previsão foi feita hoje por líderes locais. A presença e controle da AP já eram considerados mais virtual do que real, e continua somente na zona autônoma de Gaza, apesar de Israel continuar promovendo bombardeios ocasionais.A reocupação significa também, segundo comentários de fontes governamentais citados por jornais de Israel, que o Estado judeu terá de responder a novas responsabilidades, como resolver a crítica situação da população palestina.De acordo com fontes palestinas em Ramallah, a insistência do Exército israelense de assediar as instalações da AP e prender milhares de agentes da polícia palestina confirma a intenção do primeiro-ministro direitista, Ariel Sharon, de enterrar para sempre os acordos de Oslo, de 1993, que deram vida à autonomia.CenárioAssim, o retorno das tropas israelenses é visto por uma parte dos palestinos como o início de um "novo cenário político", que poderia até mesmo ter resultados positivos para a causa palestina. "Não é fácil viver com os tanques e blindados estacionados na frente de sua casa, mas ao menos a reocupação acabou com a ambigüidade em que vivemos durante meses. A AP deixou de existir há muito tempo, seus ministérios estão paralisados", afirmou à Ansa Mustafá Barghuti, um reconhecido dirigente civil palestino.Ele acrescentou que "agora existe uma evidente ocupação israelense, que ninguém pode negar", e por isso muitos palestinos sustentam que as decisões de Sharon terão um efeito "bumerangue". "Sugiro que a AP anuncie oficialmente seu fim, para colocar Israel frente a suas responsabilidades com mais de dois milhões de civis palestinos, grande parte deles sem trabalho, esfomeados e frustrados", sublinhou Barghuti.A imprensa israelense fez eco dias atrás à perplexidade manifestada pelo ministro da Defesa trabalhista, Benjamin Ben Eliezer, sobre a reocupação permanente das áreas autônomas, apoiada com entusiasmo pelos setores mais radicais do governo Sharon.Segundo Barghuti, Israel voltará a impor na Cisjordânia as velhas "administrações civis", anteriores aos acordos de Oslo. Isto exigirá do governo israelense gastos anuais de quase US$ 1 bilhão, o que certamente comprometerá as já abaladas finanças do Estado judeu. "E a reocupação dará início à resistência popular e pacífica, como ocorreu na primeira intifada (levante palestino) de 1987 a 1993. Os israelenses se darão conta de que fizeram mal em apoiar a linha militar de Sharon", opinou Barghuti, que condenou a revolta armada antiisraelense.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.