Kevin Lamarque / Reuters
Kevin Lamarque / Reuters

Trump desmente reportagem do ‘NYT’ sobre traição de assessor

Jornal diz que há meses conselheiro da Casa Branca tem cooperado com investigações sobre a ingerência russa, voltando-se contra o presidente

O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2018 | 16h57
Atualizado 20 Agosto 2018 | 13h31

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou neste domingo, 19, o jornal The New York Times em razão de uma reportagem que diz que o conselheiro da Casa Branca, Donald McGahn, tem cooperado há meses com a investigação realizada pelo procurador especial, Robert Mueller, sobre a suposta colaboração de membros da campanha eleitoral do republicano com a Rússia em 2016.

Em uma série de tuítes, Trump afirmou que autorizou McGahn a cooperar plenamente com Mueller e que não tem “nada a esconder”. "Permiti que o conselheiro da Casa Branca, o senhor McGahn e outros membros da Casa Branca solicitados cooperassem completamente com o procurador especial. Além disso, entregamos sem alterações cerca de um milhão de páginas de documentos", disse o presidente.

Ele acusou o jornal de insinuar falsamente que o conselheiro havia “se voltado contra” ele. “O fracassado New York Times escreveu um artigo falso hoje sugerindo que porque o conselheiro da Casa Branca Don McGahn passou horas dando depoimento ao Conselho Especial, ele deve ser um ‘traidor’ como John Dean”, escreveu Trump, ao se referir ao conselheiro da Casa Branca de Richard Nixon que cooperou com as autoridades nas investigações sobre o caso Watergate.

“Por isso, os veículos de notícias falsas se tornaram inimigos do povo. Que vergonha para os EUA", disse o líder americano. Em um comunicado, o departamento de comunicação do New York Times disse que o jornal acredita na reportagem e nos repórteres que a escreveram, os quais foram acusados de “falsos” por Trump.

O artigo detalha como McGahn, temendo que pudesse ser feito de bode expiatório pelo presidente, descreveu as ações e a fúria de Trump com relação às investigações sobre a Rússia em ao menos três entrevistas voluntárias, em um total de 30 horas de depoimentos realizados ao longo dos últimos nove meses. Ele ainda forneceu aos investigadores informações sobre como Trump o instruiu sobre o que deveria responder aos investigadores.

McGahn também teria oferecido detalhes sobre os comentários de Trump durante a demissão de James Comey como diretor do FBI, em maio de 2017, sua obsessão de ter à frente da investigação alguém que fosse leal e o desejo de que o chefe de Justiça, Jeff Sessions, a supervisionasse.

Segundo a reportagem, o presidente acreditou erroneamente que McGahn agiria como seu advogado pessoal e defenderia apenas seus interesses para os investigadores. Mas o conselheiro via seu papel como um protetor da presidência, não de Trump, e as pessoas próximas ao presidente agora acreditam foi um erro ter cooperado com o conselheiro.

Relembre o depoimento do ex-chefe do FBI contra Trump

O NYT ressaltou que este tipo de colaboração não é comum, mas lembrou que começou como resultado da decisão da equipe jurídica de Trump de cooperar totalmente com Mueller.

Trump também denunciou a investigação federal sobre a ingerência russa nas eleições presidenciais de 2016 como "o macartismo em seu pior momento". "Não tenho nada a esconder e exijo transparência para que essa dura e desagradável caça às bruxas chegue ao fim", afirmou ele.

Interferência da China

Ainda neste fim de semana, o governo americano acusou a China de interferir nas eleições americanas. "Todos esses idiotas que se focam na Rússia deveriam começar a olhar em outra direção, a China", disse Trump no Twitter.

A publicação passou despercebida até que o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, foi questionado neste domingo no canal ABC. Ele também acusou Pequim - assim como Rússia, Irã e Coreia do Norte - de tentar interferir no processo eleitoral americano.

"Certamente posso dizer a vocês que é ameaça suficiente à segurança nacional dos EUA - a ingerência da China, do Irã, da Coreia do Norte - para que tomemos medidas a fim de tentar contra-atacar", disse Bolton.

Pressionado para especificar como esses países, especialmente a China, tentaram influenciar as eleições americanas, o conselheiro foi vago. "Não quero entrar nos (detalhes) do que vi, ou não, mas posso dizer que, para as eleições legislativas de 2018, esses são os quatro países que mais nos preocupam", disse.

Desde o início do mês, Trump intensificou os ataques contra a investigação de Robert Mueller sobre a ingerência de Moscou na campanha que o levou à Casa Branca, chegando a pedir a seu secretário de Justiça que colocasse um fim ao processo em curso. / NYT, EFE e AFP

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