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Repórter argentino diz ter sofrido ameaças de kirchneristas

Prédio do jornalista Jorge Lanata teria sido apedrejado após denúncia; governistas desmentem

Rodrigo Cavalheiro / Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2015 | 20h24

Dois dias depois de denunciar o número 2 do governo kirchnerista por envolvimento no narcotráfico e em um triplo homicídio, o jornalista Jorge Lanata teve a fachada de seu prédio apedrejada e cápsulas deflagradas de balas foram achadas no local.

Segundo o governo, porém, uma briga entre indigentes causou o apedrejamento. No domingo, o programa Periodismo para Todos exibiu sua entrevista com um condenado à prisão perpétua pelo assassinato de três empresários do ramo farmacêutico. O preso afirmou que o chefe de gabinete Aníbal Fernández, segundo na hierarquia kirchnerista, controlava o negócio da venda de efedrina e indicou que ele tinha ordenado o crime. Fernández era então ministro de Segurança e Justiça.

A testemunha disse ter levado pagamentos de US$ 2 milhões e US$ 3,2 milhões à casa de Fernández. O dinheiro seria parte do lucro com a droga sintética. Em escutas sobre o tráfico feitas então, o elo no governo tinha o apelido de “Morsa”. O traço físico mais marcante de Fernández é o bigode.

O jornalista registrou a ocorrência e comentou a ameaça. “Tive épocas de minha vida em que andava com guarda-costas. Espero não voltar a isso.”

Lanata comanda as principais investigações jornalísticas contra o governo de Cristina Kirchner. 

Ele falou ao canal TN, que pertence ao Grupo Clarín, assim como o canal 13, que transmite seu programa “Se o preso mentiu, que tenha um castigo. Mas, se não, que a culpa recaia sobre Fernández”, acrescentou.

“Esse é um assunto muito mais grave que a corrupção. Nos últimos anos o narcotráfico se instalou em todo o país. Na Província de Buenos Aires, é mais grave.”

A acusação dividiu o kirchnerismo às vésperas da primária que no domingo definirá quais candidatos disputarão a eleição de outubro.

Fernández afirmou que integrantes de seu partido financiaram a denúncia para afastá-lo da luta pelo governo da Província de Buenos Aires. Seu adversário pela nomeação é o presidente da Câmara dos Deputados, Julián Domínguez.

"O fato de Aníbal (Fernández) ser vítima de uma operação de imprensa não o habilita a me acusar”, disse na segunda-feira. Horas depois, participou de um programa semelhante à Dança dos Famosos, o que irritou ainda mais Fernández.

Na manhã desta terça-feira, o ministro afirmou que o companheiro de partido estava festejando. Em um comício, Julián Domínguez pregou união para não prejudicar o kirchnerismo. “Irmãos devem ser unidos. Porque se brigam são devorados pelos de fora.”

Quem vencer a primária é o favorito para assumir o comando da província, que tem 37% dos eleitores do país. O ganhador sucederá a Daniel Scioli, candidato único do kirchnerismo à presidência.

Depois da denúncia, a campanha de Scioli cortou a participação de Fernández nos comícios de fim de campanha dos dois candidatos a governa

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