Repórter britânico é preso por grampear telefones da realeza

Um editor do jornal mais vendido da Grã-Bretanha foi preso na sexta-feira por ter grampeado ligações para celulares vinculados à família real "centenas de vezes", a fim de conseguir reportagens exclusivas.Clive Goodman, editor de assuntos reais do News of the World, ouvia recados na caixa postal da assessoria de imprensa do príncipe Charles, herdeiro do trono, e de dois funcionários de seus filhos, os príncipes William e Harry.Goodman, 49 anos, passará quatro meses preso. Seu cúmplice, o detetive particular Glenn Mulcaire, 36, recebeu seis meses de pena.Ambos admitiram a espionagem em novembro -Mulcaire confessou outros cinco casos de escuta clandestina de caixas postais telefônicas.Segundo as provas apresentadas ao tribunal de Old Bailey, de Londres, a dupla montou um esquema "relativamente sofisticado" para grampear a Clarence House, residência de Charles, em dezembro de 2005.Eles também grampearam os telefones da modelo australiana Elle McPherson, de um membro do Parlamento e do presidente da Associação de Jogadores Profissionais de Futebol da Inglaterra."Foi uma conduta baixa, repreensível ao extremo", disse o juiz Gross, responsável pelo caso. "Não se trata de um caso de liberdade de imprensa. Trata-se de uma grave, indesculpável e ilegal invasão de privacidade. Os alvos eram membros da família real. A família real detém uma posição única na vida deste país. É grave, de fato."O caso foi descoberto porque várias notas sobre os príncipes despertaram suspeitas de que a família real e seus funcionários estariam sendo espionados.O jornal suspendeu Goodman depois de ele ser indiciado, em agosto, e pediu desculpas a Charles e seus filhos pela "brutal invasão de privacidade".O advogado de Goodman, John Kelsey-Fry, descreveu seu cliente como um homem de "integridade, confiabilidade, honestidade e decência", porém desesperado para manter o emprego.Goodman conseguiu alguns furos notáveis a respeito da princesa Diana na década de 1990, apesar de ser ironizado pelos colegas por nunca sair da redação. "Em 2005, as reportagens do sr. Goodman já não eram mais consideradas adequadas por seus superiores. Ele foi rebaixado, deixado de lado - um repórter mais jovem foi encarregado de cobrir a família real", disse Kelsey-Fry.Bisbilhotar a realeza é certeza de furos para os tablóides britânicos, sempre ávidos por um escândalo. No começo da década de 1990, suas páginas estavam repletas de transcrições de gravações em que Charles e sua então esposa, Diana, conversavam apaixonadamente com seus amantes pelo telefone.Neste mês, o príncipe William pediu à imprensa que pare de perseguir a namorada dele, Kate Middleton, pois fotógrafos e cinegrafistas haviam acampado diante da casa dela devido a rumores de que o casal anunciaria um noivado.

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