Repórter da Al-Jazeera diz que saída de cadeia no Egito foi um 'renascimento'

Chave para manter-se bem durante o período de mais de um ano em que ficou encarcerado foi exercitar-se, estudar e meditar

O Estado de S. Paulo

02 de fevereiro de 2015 | 14h52

O jornalista australiano Peter Greste, da Al-Jazeera, declarou nesta segunda-feira, 2, que sua libertação da prisão no Egito foi algo como um "renascimento" e que a chave para manter-se bem durante o período de mais de um ano em que ficou encarcerado foi exercitar-se, estudar e meditar.

Em suas primeiras declarações públicas, um dia depois de deixar a prisão, Greste disse ao serviço em inglês da Al-Jazeera que espera ver "alguns pores-do-sol" e as estrelas, além de passar algum tempo com a família. "São estes pequenos e bonitos momentos da vida que são realmente preciosos", disse ele.

Greste, o egípcio-canadense Mohammed Fahmy e o egípcio Baher Mohammed foram detidos em dezembro de 2013 e posteriormente condenados por causa da cobertura que fizeram da violenta repressão contra manifestantes islamitas após a derrubada, pelos militares, do presidente Mohammed Morsi, em julho daquele ano.

Autoridades egípcias os acusaram de fornecer uma plataforma para a Irmandade Muçulmana, grupo do qual Morsi faz parte e que agora é considerado uma organização terrorista. Mas as autoridades não apresentaram provas concretas. Os jornalistas e seus partidários afirmaram que estavam apenas fazendo seu trabalho durante os eventos.

A percepção geral é que os três foram vítimas de uma luta regional de poder entre o Egito e o Catar, país onde fica a sede da emissora e que foi um forte partidário de Morsi.

A libertação de Greste aconteceu após uma relativa reaproximação entre o Cairo e Doha.

Não há informações sobre a libertação dos dois colegas de Greste. Embora haja a expectativa de que Fahmy seja deportado para o Canadá quando for libertado, não estava claro o que vai acontecer com Mohammed, que tem apenais cidadania egípcia.

Greste, de 49 anos, disse que foi difícil para ele sair da prisão e deixar para trás detentos de quem se tornou amigo. Ele disse que em razão das várias vezes em que achou que seria libertado mas nada aconteceu, não tinha certeza de que sairia da cadeia até entrar num avião da EyptAir, que o levou para o Chipre no domingo.

"Foi um momento muito difícil a saída da prisão, dizer adeus para os detentos, sem saber por quanto tempo mais eles terão de enfrentar aquilo", disse ele. / AP

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