Repórter da AP testemunha choque entre milicianos e polícia

Cerca de 30 homens armados e mascarados de uma milícia ligada à facção política palestina Fatah invadiram nesta segunda-feira um complexo do governo na Cidade de Gaza para exigir emprego. Minutos depois, dezenas de policiais invadiram o local em busca dos invasores, deflagrando um tiroteio que estendeu-se por cerca de 25 minutos e obrigou funcionários do Ministério de Exterior a se esconderem sob as mesas. Dois seguranças desarmados foram atingidos por balas perdidas. A troca de tiros estilhaçou janelas e quebrou aparelhos de ar-condicionado. O choque, testemunhado por um repórter da Associated Press, foi um dos cinco confrontos ocorridos nesta segunda-feira envolvendo milicianos palestinos e a polícia. Ao todo, 23 pessoas ficaram feridas nos tiroteios, que expõem o caos que impera na Faixa de Gaza e que representará um desafio ao governo liderado pelo Hamas. Antes das eleições gerais de 25 de janeiro, a Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, prometeu empregos no setor de segurança aos militantes ligados à facção. Com a avassaladora vitória do Hamas sobre a Fatah nas urnas, os milicianos passaram a promover ataques sistemáticos a edifícios governamentais para exigir os empregos prometidos pelo partido derrotado. Em Paris, ao receber a visita do rei Abdullah II da Jordânia, o presidente da França, Jacques Chirac, pediu à comunidade internacional que evite punir coletivamente os palestinos mesmo que o Hamas não ofereça respostas claras e rápidas às exigências de que renuncie à violência e reconheça a existência de Israel. Em Bruxelas, a União Européia (UE) entregou hoje à Organização das Nações Unidas (ONU) um cheque de 64 milhões de euros em ajuda emergencial aos palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, mas alertou que o futuro do auxílio financeiro será colocado em risco se o Hamas, que deve assumir o governo dentro de algumas semanas, não se comprometer com a paz. Reunidos em Bruxelas, os ministros das Relações Exteriores dos países da UE discutem no momento o futuro de um programa de ajuda de 500 milhões de euros por ano à ANP. Enquanto isso, o Exército israelense reabriu durante alguns minutos o entroncamento de Karni para permitir a entrada de ajuda emergencial na Faixa de Gaza, informaram agentes palestinos de segurança. O Exército de Israel fechou o entroncamento de Karni há diversas semanas por causa de um "alerta de segurança" não especificado. Não há previsão de quando a principal entrada de bens da Faixa de Gaza será reaberta por Israel, que no ano passado retirou-se do território palestino litorâneo, mas manteve o controle sobre suas fronteiras.

Agencia Estado,

20 Março 2006 | 20h08

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