Repórter do ''Estado'' está ''embedded'' no país

A correspondente do Estado em Washington, Patrícia Campos Mello, vai passar algumas semanas acompanhando os soldados americanos no Afeganistão na qualidade de "embedded" - jornalista incorporada às tropas dos EUA. Washington começou com a prática de "embed" de forma sistemática durante a invasão do Iraque, em 2003. O programa foi criado porque a imprensa se queixou da falta de acesso às operações no front durante a Guerra do Golfo e a invasão do Panamá. Além disso, ao fornecer acesso e até treinamento militar para jornalistas, o Pentágono esperava ganhar uma cobertura mais positiva.Com um jornalista comendo, bebendo, dormindo e participando de missões com os soldados, esperava-se que eles tivessem uma maior compreensão sobre o dia a dia das tropas. No início da guerra do Iraque, isso até funcionou. Mas depois, o maior acesso permitiu aos jornalistas escreverem sobre as insatisfações dos soldados, as diferenças do discurso em Washington e a realidade no front."Nas vezes em que as Forças Armadas tentaram esconder os fatos, o resultado foi catastrófico; no final das contas, a história vai ser contada de qualquer jeito", diz o major T.G. Taylor, responsável por relações públicas da Força-Tarefa Guerreiro da Montanha.Quando o repórter é incorporado às tropas, ele assina um termo de compromisso prometendo seguir as normas. A regra básica é: não escreva nada que possa resultar na morte de alguém. O jornalista não pode revelar informações estratégicas. Também não se pode fazer perguntas sobre política e opiniões sobre a legitimidade da guerra - embora, na prática, os soldados falem sobre isso, e muito. Não se pode afastar do destacamento nem carregar armas ou álcool.A reportagem do Estado começou o processo de se candidatar a ?embedded? no início de abril e recebeu a resposta positiva apenas em junho. Os jornalistas precisam levar seu próprio colete antibala e um capacete. Um aparelho para acesso de voz e dados por satélite também é necessário. Saco de dormir é essencial, além de vacinas contra tétano e tifo e pílulas para malária.Alguns jornalistas não são aprovados para se juntar às tropas. Às vezes, por falta de espaço, diz Taylor: "Nunca temos mais de um repórter em cada pelotão (40 soldados)." Afinal de contas, o repórter é um fardo - ele não tem o mesmo preparo físico dos soldados e o maior medo é o jornalista ficar para trás e ser sequestrado.

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