Repórter do ´Estado´ explica eleições colombianas

Embora flagelada pelos anos de convivência conturbada entre governo, guerrilheiros, narcotraficantes e paramilitares, a Colômbia se prepara para uma eleição presidencial que promete ser tranqüila para os padrões colombianos. Isso porque, a reeleição do atual presidente do país, Álvaro Uribe, é dada como certa já no primeiro turno, que acontece neste domingo. Em conversa com o editor do canal Mundo do Portal Estadao.com.br, o enviado especial do jornal O Estado de S.Paulo à Colômbia, Lourival Sant´Anna, explica como essa definição antecipada do pleito está moldando o clima pré-eleitoral. Para ouvir a conversa na íntegra, clique no link ao lado.Segundo as últimas pesquisas divulgadas no país, Uribe deverá contar com o voto de cerca de 60% do eleitorado. Isso, diz Sant´Anna, não dá margem para que grupos guerrilheiros como as Farc tentem sabotar as eleições. "Seria contraproducente do ponto de vista político", avalia o repórter.A principal explicação para a alta popularidade do atual governo é a sua postura de combate frontal ao narcotráfico e uma bem sucedida política de desmobilização dos paramilitares. Com o apoio direto dos EUA, Uribe conseguiu empurrar as forças ilegais para os Andes, liberando grandes contingentes territoriais e permitindo que parte significativa das atividades econômicas do país retomassem a normalidade. "A era Uribe é resultado de uma exaustão da maioria dos colombianos frente à permanência da violência e conflito armado", analisa o repórter.No combate ao narcotráfico, no entanto, a ênfase na segurança não tem garantido resultados positivos. Isso porque, apesar de todos os esforços para acabar com o cultivo da coca, os níveis de exportação de entorpecentes continuam estáveis, em torno das 600 toneladas anuais.Ainda assim, as alternativas apresentadas pelos candidatos de oposição - quase sempre girando em torno da substituição do cultivo da coca por outros vegetais - não convencem o eleitor. "A esquerda traz propostas sociais que os colombianos não levam muito a sério. Já se tentou muito substituir o cultivo, mas essa é uma luta um pouco inglória", resume Sant´Anna.

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