Repórter do 'Estado' explica história do 106° bebê recuperado na Argentina

Ariel Palacios conta como Pablo Gaona Miranda desconfiou que foi roubado durante ditadura militar

estadão.com.br,

07 de agosto de 2012 | 19h32

SÃO PAULO - O correspondente do Estado em Buenos Aires, Ariel Palacios, explicou, nesta terça-feira, 7, como Pablo Javier Gaona Miranda começou a desconfiar que era um dos bebês roubados durante a ditadura militar argentina (1976-1983). O anúncio de que o 106° bebê sequestrado havia sido recuperado foi feito nesta quarta, pelo grupo Avós da Praça de Maio.

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Palacios contou que Pablo foi sequestrado com os pais, María Rosa Mirando e Ricardo Gaona Paiva, em 14 de maio de 1978, quando tinha apenas um mês de vida. O casal era militante da ala esquerda do Partido Peronista, portanto, procurado pelos militares.

María teve o filho em uma maternidade clandestina e nunca mais foi vista, assim como seu marido. Pablo foi roubado por um coronel, que o entregou a um primo. Palacios conta que esse coronel se tornou o padrinho da criança.

Em 2001, Pablo - que sempre soube ser adotado - começou a desconfiar que era filho de pessoas desaparecidas durante o regime militar, passou a pressionar a mãe adotiva a confirmou a suspeita. Em junho deste ano, ele procurou as Avós da Praça de Maio.

Após um teste de DNA, Pablo, já com 34 anos, teve sua verdadeira identidade revelada e soube que sua avó o procurou por todos esses anos.

Veja o vídeo completo com o relato do correspondente Ariel Palacios:

Segundo o grupo Avós da Praça de Maio, 500 crianças foram roubadas durante a ditadura militar, logo 394 ainda não foram recuperadas. Palacios explicou que desses casos, 200 se transformaram em processos criminais, que estão em andamento.

Os bebês que foram roubados eram entregues a militares, policiais ou civis aliados ao regime. De acordo com o repórter, em poucos casos as crianças eram abandonadas em orfanatos, igrejas ou até praças públicas. 

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