Repórter é libertado em Gaza após 100 dias de seqüestro

Jornalista da BBC foi capturado em 12 de março por militantes do Exército do Islã

Agencia Estado

04 Julho 2007 | 17h27

O repórter britânico da BBC Alan Johnston foi libertado nesta noite na Faixa de Gaza após 100 dias de seqüestro. A libertação foi anunciada na TV local pelo Hamas e confirmada por mensagem enviada pelo grupo a agências de notícias internacionais.A libertação do jornalista de 45 anos, seqüestrado em 12 de março pelo Exército do Islã, foi intermediada pelos Comitês Populares de Resistência(PRC). As negociações começaram após forças do Hamas terem cercado o bairro de al-Sabra, ao sul de Gaza, onde vivem membros do grupo Doghmoush, que facilitam o refúgio de militantes do Exército do Islã.Na negociação, 10 militantes do Hamas seqüestrados há uma semana pelo Exército do Islã foram libertados, em troca da libertação de quatro membros do grupo Doghmoush capturados pelo Hamas.Militantes do grupo islâmico disseram que o repórter passou à custódia de militares na Faixa de Gaza após um encontro com o premier palestino, Ismail Haniyeh. Agora e o repórter encontra-se junto a outros colegas da BBC em Gaza.Há três semanas, após violentos confrontos, o Hamas tomou o controle de Gaza. Desde então, o grupo colocou 6 mil militantes nas ruas em busca do cativerio e vinha reivindicando a libertação do jornalista. Na segunda-feira, atiradores do Hamas tomaram posições ao redor da fortaleza onde supostamente estava Alan Johnston, pressionando os seqüestradores.Chefe da sucursal da BBC em Gaza, Johnson foi seqüestrado por quatro homens encapuzados em uma rua da cidade de Gaza em 12 de março. Foi o jornalista ocidental que mais tempo permaneceu seqüestrado em Gaza. Durante os 100 dias de seqüestro, O Exército do Islã, grupo ligado à Al-Qaeda, divulgou na internet dois vídeos com o repórter. No primeiro, no dia 1º de junho, Johnson afirmava que tinha sido bem tratado. No segundo, em 25 de junho, o jornalista usava um cinto com explosivos e afirmava que os seqüestradores poderiam detoná-lo se utilizarem de força para libertá-lo.Nas imagens, o repórter dizia que a situação era "muito grave" e que os seqüestradores estavam "dispostos a detonar o cinto com explosivos à menor tentativa de atacar este lugar".O pai do correspondente, Graham Johnston, declarou na ocasião que a família estava "muito preocupada e angustiada" com vídeo e fez um novo apelo pela libertação do filho.Os seqüestradores exigiam a liberdade dos muçulmanos presos no Reino Unido em troca de Johnston. Particularmente, pediam a soltura do religioso Abu Qatada, considerado o "embaixador" na Europa de Osama bin Laden. Até o momento, o governo da Inglaterra não se pronunciou se houve ou não a libertação dos muçulmanos.

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