Repórter nigeriana condenada à morte deixa país

A jornalista nigeriana Isioma Daniel, autora do artigo sobre o concurso Miss Mundo considerado blasfemo pelos setores fundamentalistas islâmicos da Nigéria, finalmente abandonou o país. "Posso assegurar que Isioma deixou a Nigéria", declarou uma fonte do jornal que preferiu manter o anonimato, sem explicar de que maneira a jornalista havia saído. Isioma foi objeto de uma fatwa - prescrição religiosa teoricamente obrigatória para os muçulmanos - pela qual deveria ser condenada à pena de morte por blasfêmia. A mulher foi demitida pelo jornal após os graves incidentes provocados sobretudo no norte do país por seu artigo.Mais de 200 pessoas morreram nos confrontos, que explodiram na quarta-feira da semana passada depois que um jornal nigeriano publicou um artigo em que insinuou que o profeta Maomé teria aprovado o concurso de beleza. O artigo ofendeu profundamente os muçulmanos locais, que haviam criticado o concurso como promotor da promiscuidade. Embora o jornal This Day tenha publicado um pedido de desculpas, explodiram distúrbios em Kaduna, a cidade escolhida para sediar o evento, e em seguida na capital, Abuja.Hoje foi anunciado que o concurso de Miss Mundo, que teve de ser transferido da Nigéria para Londres devido aos sangrentos conflitos entre muçulmanos e cristãos, será realizado em 7 de dezembro no Palácio Alexandra, no norte da capital britânica, informou hoje a organizadora do evento, Julia Morley. O concurso será assistido por mais de 130 países, embora por enquanto não haja planos de transmiti-lo pela televisão inglesa, acrescentou. Morley, que regressou à Grã-Bretanha na segunda-feira, disse que o concurso não é o responsável pela violência, embora os críticos sustentem que está irremediavelmente descreditado. Mais de 80 mulheres de diferentes países competem pelo título de Miss Mundo. Morley disse hoje que esperava contar com a participação de algumas das mulheres que haviam boicotado o concurso após as decisões tomadas pelos tribunais islâmicos na Nigéria, que sentenciaram à morte por apedrejamento mulheres que mantiveram relações extraconjugais. A participante sul-coreana, Jang Yu-Kyong, disse hoje que iria retirar-se do concurso. A jovem de 19 anos disse aos repórteres que havia tomado a decisão "porque não poderia participar com cara sorridente depois de ter presenciado uma crise que deixou centenas de mortos". Em compensação, Miss Canadá, Lynsey Bennett, de 22 anos, que se havia retirado após os motins, anunciou hoje ter regressado ao concurso.

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