Repórter que atacou Bush pega 3 anos

Juiz diz que o arremesso de sapatos contra um chefe de Estado em visita ao país é crime, segundo a lei iraquiana

Marc Santora, THE NEW YORK TIMES, BAGDÁ, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2009 | 00h00

Um jornalista iraquiano que foi virou herói em todo o mundo árabe por atirar seus sapatos contra o então presidente George W. Bush - que conseguiu se esquivar - durante uma vista que ele fez ao Iraque em dezembro, foi condenado ontem a 3 anos de prisão. Os advogados do repórter disseram que vão apelar da sentença.O jornalista, Muntader al-Zaidi, declarou-se inocente, dizendo numa audiência no mês passado que fora dominado pela paixão por causa do sofrimento do povo iraquiano. "Naquele momento, tudo que eu via era Bush, e senti o sangue dos inocentes escorrendo por baixo de seus pés enquanto ele exibia aquele sorriso", declarou.Na época, o julgamento foi adiado enquanto um juiz determinava se a viagem de Bush ao Iraque era uma visita oficial de Estado, e a defesa argumentava que, por ter ocorrido na Zona Verde - que era então controlada pelos militares americanos - não se tratava de uma visita oficial ao Iraque.O juiz Abdulamir Hassan al-Rubaie declarou no início da audiência de terça-feira que a visita de Bush era oficial e Zaidi era acusado de agressão contra um chefe de Estado visitante, um crime que pela lei iraquiana supõe uma pena máxima de 15 anos. Antes da leitura do veredicto, todos os jornalistas foram retirados do tribunal. Momentos antes da decisão, houve uma breve confusão quando dezenas de parentes e simpatizantes do réu manifestavam sua indignação. "Maliki é o filho de um cão", gritou uma mulher, referindo-se ao premiê Nuri al-Maliki.Quando Zaidi arremessou seus sapatos contra Bush durante entrevista coletiva, em 14 de dezembro, o ato pareceu captar uma emoção profundamente sentida aqui. Uma estátua representando um grande sapato foi erguida em homenagem a Zaidi em Tikrit, ao norte de Bagdá, mas o Parlamento ordenou sua retirada. Zaidi, de 30 anos, está preso desde o incidente e seus advogados alegam que ele foi espancado na prisão.

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