Repórter reafirma em interrogatório acusações feitas pela BBC

Um jornalista da BBC defendeu hoje uma reportagem sua relatando que um assessor de armas lhe contou que o governo Blair reescreveu um dossiê sobre o programa de armas do Iraque a fim de torná-lo "mais atrativo" e assim reforçar a justificativa para a guerra contra Saddam Hussein.O testemunho do correspondente de defesa da BBC Andrew Gilligan foi dado no segundo dia de um inquérito sobre o suicídio doassessor de armas David Kelly, cuja morte acirrou uma ásperadisputa entre a emissora e o governo do primeiro-ministro TonyBlair.A matéria de Gilligan, que usou Kelly como uma fonte anônima,levantou a suspeita de que o governo tenha enganado os britânicos sobre ajustificativa para a guerra, provocando a maior crise nos seisanos de governo de Blair - especialmente pelo fato de ainda nãoterem sido encontradas armas de destruição em massa no Iraque.O imbróglio coloca em jogo tanto a credibilidade do governoBlair quanto a da BBC. Os dois lados esperam que o inquérito,presidido pelo juiz de apelação Lord Hutton, o favoreça. Areputação post mortem de Kelly também está em jogo, já que elehavia negado a uma comissão parlamentar ser a fonte principal damatéria de Gilligan.O repórter da BBC testemunhou que Kelly lhe disse em 22 de maio que o diretor de comunicação de Blair, Alastair Campbell, mudou o dossiê e acrescentou, contra a vontade de chefes da inteligência, que o Iraque tinha capacidade de lançar um ataque com armas químicas e biológicas num prazo de 45 minutos. Sete dias depois de encontrar-se com Kelly, Gilligan fez a denúncia num programa de rádio da BBC, sem citar o nome da autoridade que teria mexido no dossiê. Ele nomeou Campbell num artigo posterior num jornal.A matéria de Gilligan foi negada com veemência pelo governo e levou à criação de dois inquéritos parlamentares sobre a maneira pela qual o governo usou na inteligência na guerra.Campbell nega a acusação, e Kelly - dias antes do suicídio - testemunhou para uma comissão parlamentar que não acreditava queCampbell tinha manipulado o dossiê. Kelly também negava ser afonte da matéria.Perguntado sobre isso, Gilligan leu em voz alta as anotaçõesque fez durante o encontro com Kelly.Gilligan também insistiu em que foi Kelly quem pela primeira vez levantou o nome de Campbell.O repórter não identificou Kelly como sua fonte da matéria de29 de maio, mas o nome do cientista vazou - e foi rapidamenteconfirmado pelo Ministério da Defesa - depois de semanas dedebate público. Kelly foi encontrado morto três dias depois deseu depoimento à comissão parlamentar.Gilligan afirmou que Kelly acreditava que Saddam tinha umprograma de armas proibidas, mas que a ameaça não era tão grandequanto sugerido no dossiê.

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