Repórteres afegãos culpam Otan por morte de colega

Intérprete foi morto em operação de resgate de jornalista britânico sob custódia do Taleban

Agência Estado e Associated Press,

10 de setembro de 2009 | 13h03

Um grupo de jornalistas afegãos acusou nesta quinta-feira, 10, as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) pela morte de um colega sequestrado durante o resgate, feito por britânicos, de um repórter do New York Times. Eles também acusaram as tropas de ter "dois pesos e duas medidas" para vidas ocidentais e afegãs.

 

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As acusações foram feitas quando o gabinete do primeiro-ministro britânico Gordon Brown disse que as tropas realizaram o ataque, na quarta-feira, na tentativa de resgatar o repórter Stephen Farrell, de nacionalidade britânica e irlandesa, e o repórter e tradutor afegão Sultan Munadi e que a missão foi autorizada como "a melhor chance de proteger a vida".

 

Um recém criado clube de mídia, formado por repórteres afegãos que trabalham para empresas internacionais, também condenou o Taleban por sequestrar os dois jornalistas na semana passada no norte do Afeganistão, quando eles investigavam a morte de civis após um ataque aéreo ordenado pela Alemanha.

 

Mais de 50 repórteres afegãos, usando câmeras e carregando notebooks, deixaram flores nesta quinta-feira no túmulo do cemitério de Cabul onde Munadi, de 34 anos, foi enterrado. Ele morreu durante a troca de tiros de uma operação de resgate realizada na província de Kunduz, norte do país. Farrell sobreviveu e foi levado num helicóptero. Um militar britânico também morreu durante a operação.

 

Em comunicado, o grupo de jornalistas disse responsabilizar as forças internacionais por ter lançado uma operação militar sem esgotar as possibilidades não violentas.

 

O documento também afirma que foi "desumano" as forças britânicas terem resgatado Farrell e terem resgatado o corpo do militar, mas deixado para trás o corpo de Munadi. Seu corpo foi recuperado na tarde de quarta-feira após negociações com anciãos locais, disse Mohammad Omar, governador provincial de Kunduz. A família enterrou o jornalista na noite de quarta-feira.

 

Fazul Rahim, produtor afegão da rede CBS News envolvido na redação do comunicado dos jornalista, disse que o fato de as tropas terem deixado o corpo para trás mostra falta de respeito. "Isso mostra dois pesos e duas medidas para uma vida estrangeira e uma vida afegã", disse ele.

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