Repórteres culpam Otan por morte de colega em resgate

Um grupo de jornalistas afegãos acusou hoje as forças internacionais pela morte de Sultan Munadi durante o resgate, feito por britânicos, de um repórter do jornal "New York Times". Eles também acusaram as tropas de ter "dois pesos e duas medidas" para vidas ocidentais e afegãs. As acusações foram feitas quando o gabinete do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que as tropas realizaram ontem o ataque na tentativa de resgatar o repórter Stephen Farrell, de nacionalidade britânica e irlandesa, e o repórter e tradutor afegão Sultan Munadi, e que a missão foi autorizada como "a melhor chance de proteger a vida".

AE-AP, Agencia Estado

10 de setembro de 2009 | 13h22

Um recém-formado clube de mídia, formado por repórteres afegãos que trabalham para empresas internacionais, também condenou o Taleban por sequestrar os dois jornalistas na semana passada no norte do Afeganistão, quando eles investigavam a morte de civis após um ataque aéreo ordenado pela Alemanha.

Mais de 50 repórteres afegãos, usando câmeras e carregando notebooks, deixaram flores hoje no túmulo do cemitério de Cabul onde Munadi, de 34 anos, foi enterrado. Ele morreu durante a troca de tiros em uma operação de resgate realizada na província de Kunduz, no norte do país. Farrell sobreviveu e foi levado em um helicóptero. Um militar britânico também morreu durante a operação. Em comunicado, o grupo de jornalistas disse responsabilizar as forças internacionais por ter lançado uma operação militar sem esgotar as possibilidades não violentas.

''Desumano''

O documento também afirma que foi "desumano" as forças britânicas terem resgatado Farrell e terem resgatado o corpo do militar, mas deixado para trás o corpo de Munadi. Seu corpo foi recuperado na tarde de ontem após negociações com anciãos locais, disse Mohammad Omar, governador provincial de Kunduz. A família enterrou o jornalista ontem à noite. Fazul Rahim, produtor afegão da rede CBS News envolvido na redação do comunicado dos jornalistas, disse que o fato de as tropas terem deixado o corpo para trás mostra falta de respeito. "Isso mostra dois pesos e duas medidas para uma vida estrangeira e uma vida afegã", disse ele.

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