Represália israelense cria incidente diplomático

Como reação ao duplo atentado suicida que deixou mais de 20 mortos no domingo em Tel-Aviv, Israel proibiu hoje uma delegação da Autoridade Palestina (AP) de comparecer, no dia 13, a uma conferência com o governo britânico e representantes de outros países, em Londres, causando um incidente diplomático. Além disso, Israel fechou três universidades palestinas e intensificou as incursões militares nos territórios ocupados.A chancelaria britânica pediu às autoridades israelenses que reconsiderassem sua decisão sobre a viagem dos altos funcionários da AP, destacando que o encontro na Grã-Bretanha, promovido pelo primeiro-ministro Tony Blair, tem por objetivo debater as reformas administrativas na AP - uma da medidas consideradas essenciais para a retomada do processo de paz. "Em lugar de concentrar-se na luta contra o terror, essa medida ataca os que se opõem a ele", salientou o chanceler britânico, Jack Straw.Mas o ministro de Relações Exteriores de Israel, Binyamin Bibi Netanyahu, retrucou, num comunicado, que as "pessoas envolvidas em terrorismo não podem tomar parte num processo de paz". O governo israelense responsabiliza a AP pelos atentados, alegando que seu presidente, Yasser Arafat, nada faz para coibir a ação dos grupos extremistas.A AP condenou o ataque e a facção Fatah - dirigida por Arafat - procurou distanciar-se do atentado, cuja autoria foi assumida pelas Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, um grupo a ela vinculado. Um porta-voz da Fatah em Nablus, na Cisjordânia, disse à Associated Press que os atacantes tiveram financiamento do Irã. Segundo o governo israelense e fontes palestinas, esse país subsidia os grupos fundamentalistas islâmicos Hamas e Jihad Islâmica, os quais também assumiram a autoria do atentado.O ataque à estação rodoviária de Tel-Aviv foi condenado pela União Européia e EUA, e vários outros países e entidades internacionais. Mas, em seu discurso hoje no rádio e TV, o presidente do Iraque, Saddam Hussein, elogiou os atacantes suicidas, que qualificou de "mártires".Hoje, a polícia de Israel baixou o saldo de mortos no atentado de 23 para 22, porque uma das vítimas havia sido contada duas vezes. Os dois extremistas também morreram. Mais de cem pessoas ficaram feridas e parte das vítimas é estrangeira.O gabinete de segurança israelense, reunido na madrugada de hoje, não atendeu aos pedidos de expulsão de Arafat dos territórios ocupados, como exigem os radicais de direita, porque os EUA se opõem a essa medida. O governo americano busca obter o apoio do mundo árabe no caso de um eventual ataque ao Iraque. "No momento, temos de sair da crise com o Iraque. Depois dela, talvez empreendamos ações de maior alcance", disse o ministro das Finanças, Silvam Shalom. A proximidade das eleições gerais israelenses - marcadas para o dia 28 - também limita a ação do primeiro-ministro Ariel Sharon.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.