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Representante da ONU para direitos humanos volta a NY sem entrar na Síria

Embaixador da Síria na organização garantiu que a visita da subsecretária geral não foi proibida

estadão.com.br,

02 de março de 2012 | 17h29

NOVA YORK - A subsecretária geral da ONU para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, retornou a Nova York após passar vários dias na Jordânia à espera de permissão para entrar na Síria, algo que até o momento não foi concedido pelas autoridades do país árabe.

 

Por outro lado, em discurso na assembleia da ONU nesta sexta-feira,2, Bashar al-Jaafari, embaixador da Síria na organização, disse que a visita da subsecretária geral não foi proibida.

 

Ele considerou os informes feitos pela ONU sobre a situação no país "agressivos" e garantiu que eles só vão aumentar as tensões internas. "O governo sírio tenta proteger a população, mas isso não está sendo mostrado pela comunidade internacional", afirmou.

 

Al-Jaafari também criticou o fato de que outros países tenham discutido abertamente armar a oposição e acusou a Al-Qaeda e o envolvimento estrangeiro de incentivarem as tensões no país.

 

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ONU insistirá

A ONU segue trabalhando para conseguir realizar uma visita ao país. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, informou que Valerie retornou nesta quinta-feira a Nova York e que hoje se reuniu com o recém nomeado enviado especial conjunto das Nações Unidas e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, para analisar a gravidade da crise no país.

"As autoridades sírias devem permitir a entrada imediatamente e sem pré-condições" da ONU, afirmou o secretário-geral em entrevista coletiva, na qual se mostrou "muito entristecido" pela "atroz e totalmente inaceitável" situação que atravessa a população síria.

"Como pode um ser humano aguentar isso?", perguntou-se Ban, que fez vários pedidos ao governo de Bashar al-Assad para que detenha a violência e permita o acesso da ajuda humanitária às zonas mais afetadas pela repressão e a violência.

Sua exigência coincidiu com a notícia de que o comboio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) que se dirigia nesta sexta-feira ao bairro de Baba Amr, na cidade de Homs, para fornecer assistência urgente e retirar os feridos, suspendeu sua entrada na região até este sábado.

O secretário-geral da ONU assegurou que a prioridade máxima das Nações Unidas é garantir a entrada de ajuda humanitária no país, por isso seguirá trabalhando para que Valerie visite a Síria.

"Seguimos insistindo que Valerie deve visitar a Síria o mais breve possível", disse Ban, que explicou que "parece que as autoridades do país querem recebê-la num momento apropriado", embora reconheceu que sua "preocupação" é que "o tempo passa e há muitos cidadãos que necessitam de assistência humanitária urgente".

O principal responsável da ONU, que hoje comparecerá diante do plenário da Assembleia Geral do organismo para informar sobre a crise síria, explicou que é "muito importante" que Valerie chegue às zonas afetadas pela violência, antes mesmo que Kofi Annan vá para Damasco iniciar seu papel de mediador.

"É mais urgente ajudar os que necessitam mais", ressaltou Ban, que explicou que Annan manteve numerosos contatos com membros do Conselho de Segurança e da delegação síria na ONU para preparar sua chegada a Damasco.

Ban explicou que o antigo secretário-geral da ONU chegará hoje mesmo em Genebra, na Suíça, e de lá irá para o Cairo, no Egito, para se reunir na próxima semana com os responsáveis da Liga Árabe, e depois chegar na Síria "o mais rápido possível".

Valerie, que lidera o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) da ONU, expressou esta semana sua frustração diante da falta de resposta do governo sírio a seu pedido para entrar no país. Até mesmo o Conselho de Segurança emitiu na quinta-feira um comunicado pedindo a Assad um movimento nesse sentido.

A violência segue causando vítimas diariamente na Síria. Nesta sexta-feira, pelo menos 61 pessoas morreram em função da repressão das forças de segurança, a metade delas em Homs, entre elas vários menores de idade e duas melhores.

Segundo dados da ONU, a revolta no país, que começou em março do ano passado, já causou a morte de mais de 7.500 pessoas, enquanto organizações humanitárias sírias dizem que esse número é ainda maior.  

 

Com agências de notícias.

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