AFP PHOTO / Leopoldo LOPEZ AND EVARISTO SA
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Representante da ONU pede que Maduro libere 'imediatamente' líderes da oposição

Leopoldo López e Antonio Ledezma, que estavam em prisão domiciliar, foram detidos pelo governo, num gesto condenado pela comunidade internacional

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2017 | 13h58

GENEBRA - O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, fez um apelo público nesta terça-feira, 1, para o que o governo de Nicolas Maduro libere "imediatamente" os dois líderes da oposição, detidos durante a madrugada entre segunda-feira e terça-feira, assim como qualquer pessoa que tenha sido presa por simplesmente ter feito parte de manifestações pacíficas ou ter exercido seu direito à liberdade de expressão.  

Leopoldo López e Antonio Ledezma, que estavam em prisão domiciliar, foram detidos pelo governo, num gesto condenado pela comunidade internacional.

Para o principal representante da ONU para Direitos Humanos, o gesto não tem justificativa. "Estou profundamente preocupado com o fato de que os líderes da oposição Leopoldo Lopez e Antonio Ledezma tenham sido levados pelas autoridades venezuelanas depois que suas prisões domiciliares foram revogadas", disse Zeid. 

"Apelo ao governo que libere imediatamente todos aqueles que estejam sendo mantidos por terem exercido seus direitos de manifestar pacificamente e de liberdade de expressão", pediu o representante, lembrando que grupos de trabalho na ONU já chegaram à constatação de que as prisões de Lopez e Ledezma no passado foram "arbitrárias". 

Zeid também lamentou o fato de que pelo menos dez pessoas tenham morrido na Venezuela no último fim de semana, enquanto ocorria a votação para a Assembleia Constituinte. Para o representante da ONU, investigações precisam ser abertas. 

"As investigações sobre essas mortes precisam ocorrer de forma rápida, efetiva e independente, com a total cooperação do governo", defendeu Zeid. 

O alto comissário ainda apelou para as autoridades não promovam uma deterioração ainda maior de uma situação "já extremamente volátil" ao abusar do uso da força, incluindo operações em casas de pessoas que tenham participado de protestos.  "Peço a todos que evitem o uso da violência", completou. 

Outro lado. Os líderes opositores venezuelanos Leopoldo López e Antonio Ledezma, que estavam em prisão domiciliar, foram enviados novamente à prisão  nesta terça-feira, 1º, porque planejavam fugir e deram diversas declarações de teor político, justificou o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) do país.

"Recebemos por fontes da inteligência oficial informação que davam conta (sic) de um plano de fuga desses cidadãos, pelo que e com a urgência do caso, foram ativados os procedimentos de resguardo correspondentes", afirmou o TSJ em uma nota de imprensa.

 

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