Representante dos EUA vai a Coréia tentar retomar acordo nuclear

O diplomata norte-americano Chris Hill chegou nesta terça-feira a Seul, escala em sua viagem à Coréia do Norte, onde tentará salvar o acordo multilateral que prevê a desativação do programa nuclear norte-coreano. A Coréia do Norte ameaça reativar sua usina nuclear -- que estava sendo desmontada nos termos do acordo -- em retaliação por não ser retirada da lista norte-americana de países patrocinadores do terrorismo e pela insistência dos EUA em verificar as atividades norte-coreanas. "Precisamos saber quais são as regras de trânsito para a verificação", disse Hill, secretário-assistente de Estado, a jornalistas. Ele disse que os EUA querem meios de verificar que a Coréia do Norte não tenha um programa secreto de enriquecimento de urânio para bombas nucleares. O tratado versa apenas sobre o conhecido programa norte-coreano de enriquecimento de plutônio. "Isso está no pacote geral de verificação", disse Hill a jornalistas, antes de se encontrar com o negociador nuclear sul-coreano, Kim Sook. "Esperamos que a Coréia do Norte concorde em breve com um protocolo de verificação", disse Kim. Hill deve ir de carro na quarta-feira à Coréia do Norte, uma viagem de cerca de três horas, cruzando uma das fronteiras mais militarizadas do mundo. Ele deve se reunir com o representante nuclear norte-coreano, e não há data marcada para o regresso. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) disse na semana passada que a Coréia do Norte estava expulsando os monitores internacionais da usina de Yongbyon, construída pela extinta União Soviética, e que o regime comunista pretende reativar as instalações nos próximos dias. "O que eles estão fazendo, obviamente, vai contra o espírito do que estamos tentando realizar", disse Hill. A desativação da usina começou em novembro. O acordo da Coréia do Norte com China, Japão, Rússia, Coréia do Sul e EUA previa benefícios políticos e econômicos em troca. Especialistas dizem que a maior parte da desativação já foi concluída, e que a Coréia do Norte, que há quase dois anos testou uma arma atômica, teria dificuldades em retomar a produção de plutônio enriquecido. Pyongyang teme que a verificação sugerida pelos EUA seja intrusiva demais. Washington responde que só vai tirar a Coréia do Norte da "lista negra" quando houver um mecanismo "robusto" de salvaguardas nucleares. "Se Hill puder oferecer um protocolo de verificação mais flexível, então há espaço para acordo", disse Paik Hak-soon, especialista em Coréia do Norte do Instituto Sejong, da Coréia do Sul.

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