Representantes iraquianos querem desarmamento de milícias

Representantes políticos e religiosos iraquianos recomendaram neste domingo a dissolução das milícias e o retorno dos soldados e oficiais do regime de Saddam Hussein a seus antigospostos de trabalho para acabar com a violência sectária que assola o país.A realização do conselho durante o encerramento da terceiraConferência para a Reconciliação Nacional do Iraque, que começou nosábado, coincidiu com a visita do primeiro-ministro do Reino Unido,Tony Blair, e de uma delegação do Congresso dos Estados Unidos aopaís para mostrar seu apoio à política do primeiro-ministroiraquiano, Nouri al-Maliki.Os participantes emitiram um comunicado final no qual acusaram asmilícias de serem responsáveis pela onda de violência que sacode oPaís. "A conferência pede a dissolução das milícias ilegais, porque são as responsáveis pela atual onda de violência que assola o país", indica a nota.O comunicado também pede o "retorno dos antigos oficiais esoldados cujas mãos não estejam manchadas de sangue iraquiano aoserviço ativo".Maliki inaugurou a conferência, em uma nova tentativa deencontrar uma saída para a escalada da violência sectária que sacode o Iraque desde fevereiro e que tem deixado o país à beira da guerra civil.Mais de 200 políticos, clérigos, representantes xiitas e sunitas,participaram da reunião, assim como líderes das minorias curdas eturcomana e alguns chefes de grupos armados.No entanto, o Conselho de Ulemás iraquianos, máxima autoridadesunita no Iraque e o influente grupo xiita dirigido pelo clérigoMuqtada Sadr boicotaram a reunião.Blair faz visita surpresaTony Blair, que chegou neste domingo a Bagdá em uma visita surpresa, reiterou o apoio do Reino Unido ao governo de Maliki em sua campanha contra o terrorismo e a violência sectária.Em entrevista coletiva conjunta em Bagdá, Blair também expressouseu apoio à reconciliação nacional no Iraque e vinculou de novo aretirada das tropas britânicas do país à "capacidade das forçasiraquianas de manter a segurança".Blair também reiterou que os Estados vizinhos do Iraque "devemcontribuir de forma efetiva com os esforços para restabelecer" asegurança no país.Maliki disse que existe um acordo entre Bagdá e Londres para quea futura retirada das tropas britânicas de Basra "não seja desurpresa e não afete a estabilidade" da cidade, a segunda emimportância do país.Estados UnidosO primeiro-ministro iraquiano também recebeu neste domingo uma delegação do Congresso dos EUA para tentar encontrar uma solução para a violência sectária, segundo um comunicado oficial.A delegação, dirigida pelo senador John Kerry, insistiu no "apoioamericano tanto do Partido Republicano como Democrata ao processopolítico iraquiano".Os congressistas também destacaram a necessidade de "continuar seesforçando para alcançar uma solução aceitável para todos os iraquianos".ViolênciaFontes do Ministério do Interior informaram que um grupo dehomens armados seqüestrou neste domingo cerca de 30 pessoas em um edifício do Crescente Vermelho iraquiano em Wahda, no leste de Bagdá.Ainda neste domingo, a Polícia anunciou ter achado nas últimas 24 horas os cadáveres de 53 pessoas com marcas de tiros e sinais de tortura em diferentes bairros da capital.A violência sectária foi desencadeada depois de um atentado, emfevereiro, contra um mausoléu venerado pela majoritária comunidadexiita iraquiana, na cidade de Samarra, ao norte de Bagdá.Na noite do sábado, um grupo de pistoleiros matou dois xeques sunitas que participavam da conferência de reconciliação.Segundo a Polícia, os dois mortos, identificados como IsmailJanfiyi e Alaa al-Yaburi, retornavam a suas casas, situadas nalocalidade de al-Iscandariya, a 60 quilômetros ao sul de Bagdá.

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