Repressão a protesto na Cisjordânia deixa 5 mortos e violência se espalha

Palestinos enfurecidos com a ofensiva israelense protestaram ontem em vários pontos da Cisjordânia. Cinco deles foram mortos durante as manifestações no chamado "dia de fúria". Em Gaza, no mesmo dia, os ataques de Israel mataram mais de 60 pessoas - numa única ação, 8 morreram, incluindo 4 crianças. O número de palestinos mortos por Israel nos 18 dias da operação Limite Protetor chegou a 879.

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2014 | 02h00

Uma fonte médica do Hospital Rafadiyeh informou que dois jovens foram mortos a tiros na região de Hawara, nas proximidades de Nablus, no norte da Cisjordânia. Meios de comunicação palestinos afirmaram que um deles foi morto por uma moradora de um assentamento israelense no território palestino, mas as autoridades de Israel negaram o relato.

A polícia e os militares israelenses afirmaram que uma cidadã de Israel desceu de seu veículo e fez disparos de advertência quando cerca de 200 palestinos protestavam em Hawara, bloqueando a estrada. Micky Rosenfeld, porta-voz da polícia israelense, afirmou que a mulher não foi a responsável pela morte dos palestinos. Rosenfeld garantiu que policiais de fronteira israelenses patrulhavam Hawara quando se depararam com manifestantes que arremessavam contra eles pedras, coquetéis Molotov e fogos de artifício "a curta distância".

De acordo com o porta-voz, um dos agentes disparou contra um palestino porque se sentiu "em uma situação de vida ou morte". Um dos mortos, de 19 anos, foi baleado no abdome e o outro, na cabeça.

De acordo com o porta-voz da polícia israelense, 40 palestinos foram presos durante confrontos ocorridos em Jerusalém Oriental, entre a noite de quinta-feira e a madrugada de ontem, e 29 agentes israelenses ficaram feridos.

Confrontos. Três outros palestinos foram mortos em Beit Omar, próximo a Hebron, no sul da Cisjordânia. Ativistas afirmaram que todos foram alvos de disparos de armas de fogo durante uma manifestação. Confrontos entre jovens arremessando pedras e as forças israelenses continuaram, enquanto os três homens eram sepultados.

Na madrugada de ontem, dois palestinos já tinham sido mortos nos protestos. Na noite anterior, outros três manifestantes morreram e cerca de 200 ficaram feridos em uma manifestação que reuniu 10 mil pessoas no campo de refugiados de Qalandia, nas proximidades de Ramallah.

Negociações. Os ataques israelenses mataram ontem mais de 60 pessoas na Faixa de Gaza - entre elas, o porta-voz das Brigadas Al-Quds, braço armado do grupo palestino Jihad Islâmica, que luta contra Israel, juntamente com o Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Dois filhos adolescentes de Salah Abu Hassanein, de 12 e 15 anos, também foram mortos no mesmo ataque, na região de Rafah, no sul do território palestino. Em uma única ação, em Khan Yunis, oito palestinos morreram em um ataque israelense, incluindo quatro crianças - 20 ficaram feridos.

Israel rejeitou ontem um cessar-fogo de sete dias, mas o secretário de Estado americano, John Kerry, declarou que nenhuma proposta formal tinha sido apresentada. De acordo com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, a "trégua humanitária" serviria para "permitir que as partes venham dialogar no Cairo".

Israel aceitou, porém, interromper por 12 horas os ataques contra Gaza. Um funcionários do governo americano confirmou que o premiê Binyamin Netanyahu garantiu a Kerry que a suspensão nas operações militares de seu país começaria às 7 horas de hoje em Israel (1 hora em Brasília).

O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, afirmou que todos os movimentos militantes de Gaza concordaram com a trégua temporária, mediada pela ONU e pelo Egito.

Até ontem, 38 pessoas tinham morrido do lado israelense: 35 soldados, 2 civis e 1 trabalhador tailandês. O Exército da Israel informou que um militar do país - que se acreditava tivesse sido capturado pelo Hamas no domingo - foi na verdade morto por palestinos naquele dia. / NYT, AP, AFP, EFE e REUTERS

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