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Repressão a protestos em Mianmar deixa dois mortos

Neste que foi o dia mais sangrento em mais de duas semanas de demonstrações outras 30 pessoas também ficaram feridas

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2021 | 10h48

YANGON - Duas pessoas foram mortas na segunda maior cidade de Mianmar, Mandalay, neste sábado, 20, quando a polícia disparou para dispersar os oponentes que protestavam contra o golpe militar de 1º de fevereiro, disseram funcionários de emergência. Neste que foi o dia mais sangrento em mais de duas semanas de demonstrações outras 30 pessoas também ficaram feridas.

Os manifestantes tomaram as ruas em várias cidades e vilas com membros de minorias étnicas, poetas e trabalhadores do transporte entre aqueles que exigem o fim do regime militar e a libertação da líder eleita Aung San Suu Kyi e outros. Mas a tensão aumentou rapidamente em Mandalay, onde policiais e soldados enfrentavam trabalhadores de estaleiro em greve e outros manifestantes.

Segundo os funcionários dos serviços de emergência, a polícia dispersou o protesto na cidade a tiros. Um dos mortos é um menor, atingido por uma bala na cabeça, como relatou Hlaing Min Oo, responsável por uma equipe de socorristas voluntários, acrescentando que "metade dos feridos sofreu disparos com munição real". A polícia não estava disponível para comentar.

Os protestos e a campanha de desobediência civil com greves e outras perturbações não dão sinais de arrefecimento. Os oponentes do golpe estão céticos quanto à promessa do Exército de realizar uma nova eleição e entregar o poder ao vencedor. 

Uma jovem manifestante morreu na sexta-feira após levar um tiro na cabeça na semana passada, enquanto a polícia dispersava uma multidão na capital, Naypyitaw, a primeira morte entre os manifestantes anti-golpe. O Exército diz que um policial morreu devido aos ferimentos sofridos em um protesto.

Primeira vítima 

Neste sábado, em Yangon, jovens ofereceram flores em uma cerimônia em memória da jovem manifestante que morreu, identificada como Mya Thwate Thwate Khaing. Uma cerimônia semelhante aconteceu em Naypyitaw.

"A tristeza pela morte dela é uma coisa, mas também temos coragem de continuar por ela", disse o estudante que participa dos protestos Khin Maw Maw Oo em Naypyitaw.

Os manifestantes exigem a restauração do governo eleito e a libertação de Suu Kyi e outros. Eles também pediram a revogação de uma Constituição de 2008 que garantiu ao Exército um papel importante na política depois de quase 50 anos de regime militar no país, encerrado em 2011.

O Exército retomou o poder após alegar fraude nas eleições de 8 de novembro que a Liga Nacional pela Democracia, de Suu Kyi, saiu vitorioso, prendendo sua líder e outras pessoas. A comissão eleitoral indeferiu as denúncias de fraude.

No entanto, o Exército diz que sua ação está dentro da Constituição e é apoiada pela maioria do povo. Os militares culparam os manifestantes por instigarem a violência. 

Milhares de manifestantes se reuniram na cidade de Myitkyina, no norte, e enfrentaram filas de policiais antes de se dispersarem. As multidões também marcharam pacificamente pela antiga capital de Bagan e em Pathein, no delta do Rio Irrawaddy, mostraram imagens na mídia social.

Os Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia anunciaram sanções limitadas, com foco em líderes militares. Muitos países pediram às autoridades que evitem a violência.

O líder da Junta, Min Aung Hlaing, já estava sob sanções dos países ocidentais após a repressão aos membros da minoria rohingya. Não há, porém, grandes episódios de generais de Mianmar, com laços mais estreitos com a China e a Rússia, cedendo à pressão ocidental.

Suu Kyi enfrenta uma acusação de violação de uma Lei de Gestão de Desastres Naturais, bem como de importação ilegal de seis rádios walkie-talkie. Sua próxima audiência no tribunal será em 1º de março.

A Associação de Assistência a Prisioneiros Políticos de Mianmar disse que 546 pessoas foram detidas, das quais 46 foram libertadas, até sexta-feira./REUTERS e AFP 

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