Repressão a protestos na Síria deixa 32 mortos

Oposição marca manifestações para hoje e campanha de 'desobediência civil' amanhã

CAIRO, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2011 | 03h02

Forças de segurança sírias abriram fogo ontem contra manifestantes em várias partes do país. Segundo o Comitê de Coordenação Local (CCL), que reúne grupos de oposição, 32 pessoas morreram, incluindo 7 crianças. A repressão mais violenta ocorreu em Homs, epicentro da revolta contra o ditador Bashar Assad. Soldados marcharam pelas ruas da cidade nas primeiras horas do dia metralhando aleatoriamente a população.

O CCL informou em comunicado que 18 pessoas morreram em Homs, 5 em Idleb, 4 em Hama, 3 nos arredores de Damasco e 2 em Deraa. O Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, com sede em Londres, coloca o número de mortos em 24 - os relatos não puderam ser confirmados de maneira independente, pois o governo sírio restringe a entrada de jornalistas estrangeiros. De acordo com a ONU, a repressão aos protestos contra o regime já matou 4 mil pessoas desde março, entre elas 310 crianças.

O Conselho Nacional Sírio (CNS), outro importante grupo de oposição, e o CCL marcaram para hoje uma manifestação nacional contra Assad. Amanhã, eles convocaram uma campanha de "desobediência civil", batizada de "greve pela dignidade".

Além de manifestações de rua, o movimento também prevê o fechamento de estabelecimentos comerciais. Ontem, grupos opositores sírios alertaram para a possibilidade de um massacre em Homs, uma vez que o Exército estaria preparando uma grande ofensiva contra a cidade, que está cercada por tropas do governo. O ataque ocorreria durante os protestos que estão marcados para hoje.

Turquia. Em entrevista à TV americana ABC, na quarta-feira, Assad questionou o número de vítimas divulgado pela ONU e insistiu que cerca de 1.100 soldados e policiais foram mortos. "Quem disse que as Nações Unidas são uma instituição confiável?", disse Assad. Ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, respondeu às críticas de Assad, afirmando que os números eram "confiáveis".

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse que Ancara não pode ficar de braços cruzados enquanto a situação na Síria ameaça a estabilidade regional. "A Turquia não deseja interferir nos assuntos internos de ninguém, mas se surgir um risco à segurança regional, então não poderemos nos dar ao luxo de nos abster e apenas assistir", disse o chanceler.

Outra dura ameaça foi feita ontem por Turki al-Faisal, um importante príncipe da família real saudita, citado pela agência Reuters. Ele afirmou que os países árabes também não ficariam impassíveis diante do "massacre" do povo sírio e sugeriu que é "improvável" que Assad deixe o poder voluntariamente. "Talvez seja preciso uma nova rodada de sanções contra o regime", disse o saudita.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) suspendeu ontem seus trabalhos na Síria. Culpando o regime e alegando dificuldades em atuar no país, o anúncio encerra um dos poucos esforços para investigar as alegações de violência e tortura no conflito.

O CICV tinha permissão para visitar centros de detenção provisórios, para onde o governo teria enviado mais de 14 mil pessoas presas desde o início do levantes na Síria, em março. / REUTERS, EFE e AP

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