Khalid Mohammed/AP
Khalid Mohammed/AP

Repressão a protestos no Iraque deixa 11 mortos e 12 feridos

Em Bagdá, forças iraquianas voltaram a usar munições contra manifestantes, que estavam a caminho da TV estatal; no domingo, quatro pessoas morreram em Kerbala, quando tentavam atear fogo ao Consulado do Irã

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2019 | 18h02

BAGDÁ - Pelo menos 11 pessoas morreram e outras 12 ficaram feridas durante a repressão a dois protestos no Iraque entre domingo e esta segunda-feira, 4. No primeiro deles, na noite de ontem, quatro manifestantes foram mortos pela polícia em Kerbala, no sul do país, quando tentavam incendiar o Consulado do Irã, país apoiador do governo iraquiano. 

No protesto desta segunda-feira, os manifestantes estavam a caminho da TV estatal Al-Iraqiya, na Praça Hafiz al Qadi, quando foram abordados pela polícia. No confronto, 7 deles foram mortos. 

Os protestos no Iraque foram retomados há 11 dias e essa foi a primeira vez que as forças iraquianas dispararam munições contra os manifestantes. Segundo dados oficiais, na primeira leva de protestos, que começou no dia 1° de outubro, 257 pessoas foram mortas. Manifestantes protestam contra a corrupção e a falta de serviços públicos no país. 

No protesto em Kerbala, os participantes exibiram bandeiras iraquianas na parede do consulado e escreveram a frase "Kerbala livre, fora Irã".

"Eles querem nos matar, não nos dispersam, não disparam para o ar", disse um manifestante. "(As forças de segurança) protegem o consulado de um país estrangeiro enquanto pedimos apenas que nosso país seja livre." 

Devido aos protestos, a maioria das escolas está fechada em Bagdá e no sul do país.  

Manifestações no país 

Em outras partes do Iraque, os atos também se multiplicam e vários sindicatos declararam uma greve geral. A estrada que leva ao Porto de Um Qasr foi bloqueada com blocos de cimento. No local, manifestantes escreveram a  seguinte frase: "fechado por ordem do povo".

No porto, dezenas de navios saíram novamente sem poder deixar suas cargas.  Em Amara, no sul,  os manifestantes bloqueiam dois campos de petróleo administrados por empresas chinesas, a de Halfaya, a maior do país, e de Buzurgan. 

A produção de petróleo não foi interrompida, mas vários funcionários não conseguem acessar as instalações. Em Samawa, as principais estradas e pontes foram cortadas e em Al Hilla e Nassiriya, no sul, quase todas as instituições públicas foram fechadas.

Nesta segunda, a  ONG Human Rights Watch (HRW) denunciou que três iraquianos foram detidos por postar mensagens de solidariedade aos manifestantes de Bagdá e do sul do país no Facebook. Os presos moram em Anbar, que é uma grande região sunita perto da capital e na fronteira com a Síria. Até agora, a província está fora do protesto.

 

As autoridades decretaram o toque de recolher noturno em Bagdá, mas a ordem contribuiu para o aumento de manifestantes na Praça Tahrir./EFE e AFP

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