Repressão a protestos pró-democracia deixa ao menos 32 mortos na Síria

Maior parte das vítimas está no norte do país; governo afirma que soldados foram atacados

Associated Press

10 de junho de 2011 | 15h24

Marcha contra o regime de Assad na cidade de Trípoli, no norte sírio

 

BEIRUTE - Ativistas sírios disseram nesta sexta-feira, 10, que ao menos 32 pessoas morreram com a repressão das forças de segurança a protestos contra o regime do presidente Bashar al-Assad. De acordo com as fontes, metade das vítimas está no norte do país.

 

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O Comitê Local de Coordenação, grupo que ajuda a documentar as mortes e os protestos pró-democracia na Síria, 15 das mortes ocorreram na província de Idlib, no noroeste. Segundo o grupo, muitas dessas mortes aconteceram após ataques de tanques contra a cidade de Maaret al-Numan.

 

 

A emissora estatal da Síria afirmou que homens armados abriram fogo contra delegacias na cidade, causando mortes também entre as forças de segurança. Há ainda relatos de óbitos em outras regiões do país devido à repressão às marchas contra Assad.

 

 

Outra cidade do norte da Síria, Jisr al-Shughour, também foi alvo de ação do Exército. Dezenas de tanques e soldados entraram na quase deserta localidade, onde teria acontecido no início da semana um massacre de 120 militares, de acordo com o governo. Com medo de represálias, os moradores deixaram o local, muitos deles fugindo para a Turquia.

 

Ativistas disseram que o cerco foi realizado por militares da 4ª Divisão do Exército, uma unidade de elite comandada por Maher Assad, irmão mais novo do presidente. O uso de tropas desse nível pode ser considerada uma preocupação do governo com outras unidades militares. Houve relatos de deserções entre soldados e policiais, que passaram para o lado da revolução e se recusaram a reprimir marchas.

 

Novos protestos também foram reportados perto da capital, Damasco, e em Aleppo, segunda maior cidade da Síria, ambos locais vitais para o regime autoritário de Assad, embora as manifestações não tenham sido de grandes dimensões. Ocorreram mortes no distrito de Qabun, perto de Damasco, e na área de Bosra al-Harir, na província de Deraa, sul do país, epicentro dos protestos.

 

Os protestos contra o governo começaram em março na Síria. Mais de 1.100 civis, incluindo dezenas de crianças, foram mortos na repressão, segundo ativistas pelos direitos humanos.

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