Repressão ao terrorismo esconde perseguição a dissidentes do governo

O epicentro da luta pelos direitos civis na Arábia Saudita está na repressão ao terrorismo. Hoje, segundo ONGs, cerca de mil acusados de envolvimento em atividades extremistas são julgados por tribunais com base na rígida lei muçulmana, a Sharia. O problema é que a monarquia absolutista misturou entre os suspeitos vários opositores do regime.O fim dos processos secretos é uma das bandeiras dos 77 acadêmicos e escritores que enviaram há dez dias um manifesto pedindo reformas políticas ao rei. Formada por clérigos, a Justiça saudita não obedece, segundo seus críticos, o direito penal saudita nem mesmo a jurisprudência islâmica. A petição pede "julgamentos públicos e justos" e alega que o discurso religioso radical "levou a sociedade saudita ao extremismo e à violência".De acordo com o ministro do Interior, príncipe Nayef bin Abdul Aziz, em outubro de 2008, 991 suspeitos de terrorismo e de conexões com a Al-Qaeda enfrentavam julgamentos na Arábia Saudita. Eles estariam envolvidos em 30 casos de atentados ou de conspirações entre 2003 e 2006, que teriam deixado 90 mortos. "Acreditamos que haja inocentes entre os suspeitos", disse ao Estado Mohammed al-Qahtani, acadêmico da Universidade Rei Saud.A luta pelos direitos humanos na Arábia Saudita é uma batalha difícil. ONGs como a Human Rights Watch (HRW), a Anistia Internacional e o Conselho das Nações Unidas para os Direitos Humanos advertiram sobre as execuções sumárias, realizadas em praça pública, nas imediações do Palácio Al-Masmq. Nenhuma manifestação religiosa além do islamismo é tolerada e a liberdade de expressão enfrenta limites como a censura à internet. "Como a Arábia Saudita produz petróleo e é aliado dos EUA contra o terrorismo, nenhum governo ocidental desafia a falta de liberdade política e civil ou suas graves restrições aos direitos de mulheres e imigrantes", definiu a HRW em seu último relatório, em janeiro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.