Repressão deixa 2 mortos e 47 feridos no Iêmen

Policiais do Iêmen que tentavam dispersar milhares de manifestantes contrários ao governo mataram duas pessoas e deixaram pelo menos 47 feridas, segundo informaram testemunhas. Em uma das cidades, os manifestantes invadiram um prédio do governo.

AE, Agência Estado

12 de maio de 2011 | 13h19

Homens armados dispararam contra os opositores na cidade de Bayda, na região central do Iêmen, a partir do telhado de um prédio pertencente ao partido governista. Duas pessoas morreram e sete ficaram feridas, afirmou o ativista Ghazi al-Amiri. Em Taiz, no sul, a polícia fez disparos com munição de verdade e balas de borracha para dispersar os manifestantes, ferindo 40 pessoas, informou o médico Sadeq al-Shujah.

Taiz tem sido um centro de manifestações contra o governo. O ativista Nouh al-Wafi disse que a multidão tomou o controle do prédio do Ministério do Petróleo e colocou uma faixa na entrada do edifício na qual estava escrito: "Fechado até segunda ordem pela revolução da juventude".

Bushra al-Maktari, ativista de Taiz, disse que a polícia lançou gás lacrimogêneo contra os manifestantes e que o governo enviou reforços para enfrentar as milhares de pessoas que estão acampadas na praça central da cidade. As demonstrações também aconteceram em Áden, Hadramawt, Hodeida e outras cidades do país.

Há semanas os manifestantes exigem a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, em protestos que muitas vezes reúnem milhares de pessoas. Saleh se mantém no poder e afirma que, se deixar o cargo sem uma sucessão organizada, o braço da Al-Qaeda no Iêmen vai se aproveitar da situação e o caos vai se instalar no país.

Acordo

Saleh rejeitou as propostas de mediação realizadas no mês passado e que pareciam ter resolvido a crise. O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) apresentou um pacote de medidas segundo o qual Saleh nomearia seu próprio sucessor, não seria processado e deixaria o cargo em 30 dias. A proposta foi aceita com relutância pela oposição, mas no último minuto Saleh voltou atrás e se recusou a assinar o acordo.

Hoje, o Conselho tentou ressuscitar o pacote de medidas. "A iniciativa do CCG é a melhor solução e uma saída para a dramática situação do país, para interromper o derramamento de sangue e impedir uma maior deterioração da segurança e o aprofundamento da divisão política", disse o secretário-geral do grupo, Abdullatif bin Rashid al-Zayani, em comunicado divulgado hoje. Segundo a imprensa local, al-Zayani deve ir ao Iêmen no sábado para discutir a iniciativa.

Também hoje o Departamento de Estado norte-americano ofereceu apoio ao acordo do CCG e exigiu que, enquanto isso, o governo do Iêmen pare de disparar contra os manifestantes. "Nós pedidos às forças de segurança iemenitas que exerçam o máximo comedimento, evitem a violência e respeitem os direitos do povo de se reunir livre e pacificamente e de expressar sua opinião", afirmou o porta-voz Mark Toner em comunicado. "Nós pedimos aos envolvidos que assinem e implementem agora os termos do acordo (do CCG) para assegurar uma transição de poder ordenada e pacífica. A transição deve começar imediatamente", acrescentou. As informações são da Associated Press.

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