Repressão fortalece protestos, diz oposição no Bahrein

As grandes manifestações contra o governo do Bahrein chegaram hoje ao quinto dia consecutivo. Hoje também ocorreram os funerais de quatro pessoas mortas nos protestos de dias anteriores no país. Desde segunda-feira, seis manifestantes já morreram. Os líderes oposicionistas afirmam que a repressão fortaleceu suas demandas por uma mudança de governo, de acordo com informações do Wall Street Journal.

GABRIEL BUENO, Agência Estado

18 de fevereiro de 2011 | 09h01

Em Sitra, uma empobrecida área xiita onde vivem 150 mil pessoas, nas proximidades da capital Manama, dezenas de milhares de pessoas se reuniram para enterrar três homens mortos em confrontos ontem. Esse parecia ser o maior ato no país desde o início dos protestos contra o regime.

"Nós precisamos mudar este governo agora. O povo não vai parar de tentar conseguir seus direitos. Se (o governo) usa a força dessa forma, ele perde", afirmou o xeque Ali Salman, líder do Al-Wafaq, principal bloco da oposição, enquanto caminhava em meio aos caixões carregando uma bandeira do Bahrein.

Na madrugada de ontem, forças de segurança agiram violentamente para retirar as pessoas de uma praça pública, matando quatro pessoas segundo funcionários de hospitais. Os protestos no Bahrein são inspirados nos levantes ocorridos na Tunísia e no Egito, que acabaram com a deposição dos líderes desses países.

O governo do Bahrein já admitiu três mortes, mas acusa jornalistas de exagerarem sobre a violência. A administração defendeu o uso da força para proteger o interesse nacional. As monarquias vizinhas do Golfo Pérsico demonstraram apoio à violenta resposta oficial. Já os parlamentares do bloco Al-Wafaq, que possui 18 das 40 cadeiras da Câmara dos Deputados, afirmaram ontem que irão renunciar em massa, em solidariedade aos manifestantes.

Nos funerais, várias pessoas gritavam slogans pelo fim do domínio da família Khalifa no país. De maioria muçulmana xiita, o Bahrein é controlado por uma dinastia sunita. Os manifestantes exigem democracia e melhorias econômicas.

Ainda que o próprio Bahrein explore pouco petróleo, seus vizinhos são alguns dos maiores produtores da matéria-prima no mundo. Sua posição estratégica no Golfo, perto de Arábia Saudita, Catar e Irã, fez do país um aliado de longa data dos Estados Unidos. A Quinta Frota dos EUA, força naval deslocada para Oriente Médio e leste da África, está sediada no Bahrein. As informações são da Dow Jones.

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