Repressão matou 87 na Guiné, diz Cruz Vermelha

A repressão ontem a um protesto pela volta da democracia a Guiné deixou 87 mortos, afirmaram funcionários da Cruz Vermelha. Hoje, médicos atendiam centenas de civis feridos, após soldados invadirem a área da manifestação e começarem a disparar na multidão. Automóveis incendiados eram observados nas ruas de Conacri nesta manhã, enquanto moradores temerosos não deixavam suas casas. Pelo menos duas delegacias de polícia foram incendiadas após a explosão de violência.

AE-AP, Agencia Estado

29 de setembro de 2009 | 09h37

O líder militar do país, capitão Moussa "Dadis" Camara, que tomou o poder em dezembro em um golpe de Estado, disse ontem à noite a uma rádio francesa que o tiroteio foi causado por membros da guarda presidencial. Segundo ele, porém, o incidente estava fora de seu controle. "Essa gente que cometeu essas atrocidades foram elementos incontroláveis no Exército", afirmou Camara à Radio France International. "Inclusive eu, como chefe de Estado nesta situação tão tensa, não posso pretender ter controle sobre esses elementos no Exército."

A Comissão da União Africana (UA) condenou os "disparos indiscriminados sobre civis desarmados". A UA suspendeu Guiné da entidade após Camara tomar o poder. Vários políticos foram presos ontem, entre eles o líder opositor Sidya Toure, liberado hoje. Toure disse que sua casa foi destruída.

Camara tomou o poder em um golpe horas após a morte do ditador Lansana Conté. Ele disse inicialmente que não participaria de uma eleição, mas recentemente afirmou que tinha o direito de fazê-lo, caso quisesse. Os manifestantes temem que o país siga sem democracia. A manifestação da oposição ontem no principal estádio de futebol da capital reuniu aproximadamente 50 mil pessoas.

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