Repressão na Síria deixa 37 mortos em 3 dias

Forças de segurança sírias dispararam para o ar ontem para dispersar uma manifestação pró-democracia na cidade de Deraa, no sul da Síria, onde reformistas defendem o fim dos 41 anos de governo da família Assad.

Reuters e AP, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2011 | 00h00

O levante na cidade de Deraa, na fronteira com a Jordânia, representa o maior desafio ao presidente Bashar Assad. Segundo a Anistia Internacional, pelo menos 55 pessoas foram mortas na área de Deraa na sexta-feira. Ontem, citando informações não confirmadas, a ONG disse que mais 37 pessoas foram mortas em Damasco, Latakia, Deraa e imediações no fim de semana. Moradores de Deraa denunciaram que franco atiradores das forças de segurança estavam escondidos nos telhados.

Cercada por pobres comunidades agrícolas, Deraa é reduto de tribos pertencentes à maioria sunita da Síria, que se ressente do poder e fortuna obtidos pela elite da minoria alauíta, à qual os Assads pertencem.

Funcionários do governo disseram que Assad, de 45 anos, deve fazer um pronunciamento nos próximos dias e especula-se que ele pode levantar o estado de emergência, em vigor no país desde 1963.

Os manifestantes sírios exigem a libertação dos presos políticos e informações sobre as dezenas de milhares de pessoas que desapareceram nos anos 80.

Os moradores de Deraa disseram que o Exército e a polícia secreta enviaram reforços à cidade ontem. A polícia deteve várias pessoas e ao menos 20 ônibus das forças de segurança foram lotados com os detidos.

No sábado, Assad despachou suas tropas à cidade de Latakia, onde pelo menos 12 pessoas foram mortas no final de semana. O governo disse que suas forças só abriram fogo quando "elementos armados" ameaçaram a segurança nacional.

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