Repressão na Síria já deixou mais de 1,1 mil mortos, diz ONU

Número de detidos no país já passa de 10 mil, incluindo mulheres e crianças

Efe

15 de junho de 2011 | 10h38

GENEBRA - O número de mortos pela repressão dos protestos na Síria já passou de 1,1 mil, enquanto os detidos são mais de 10 mil, incluindo mulheres e crianças, denunciou nesta quarta-feira, 15, a Alta Representação da ONU para os Direitos Humanos.

 

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"Recebemos vários relatórios denunciando o excessivo uso da força por parte das forças sírias contra os civis, a maioria deles manifestantes pacíficos", assinala um relatório apresentado hoje ao Conselho de Direitos Humanos.

 

 

O documento afirma que "civis desarmados" foram alvo "de franco-atiradores localizados nos tetos de edifícios públicos e de tanques destacados em zonas densamente povoadas".

 

Além disso, foram utilizados helicópteros de combate para atacar a cidade de Jirs al Shughur, onde se concentraram as ações militares dos últimos dias, que provocaram a fuga de milhares de pessoas e levaram mais de 8 mil a cruzar a fronteira com a Turquia, incluindo 4 mil crianças.

 

O organismo da ONU, no entanto, assinalou que seus colaboradores não puderam entrar na Síria, o que dificultou a apuração de informações de maneira direta.

 

Por essa razão, para emitir este relatório preliminar dependeram de organizações e defensores dos direitos humanos, assim como do testemunho das próprias vítimas.

 

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, dirigiu três cartas ao Governo sírio pedindo que se permitisse a entrada da missão encarregada de investigar os fatos no país, mas não obteve resposta.

 

A Alta Delegacia da ONU afirmou ainda que dispõe de informação - incluindo vídeos e fotos - que comprovam o uso da tortura contra os detidos.

 

Segundo o relatório, as famílias e os vizinhos de manifestantes e ativistas também foram vítimas de detenções arbitrárias e as forças de segurança irromperam em diversas casas para tentar encontrar pessoas procuradas pelas autoridades.

 

Várias vítimas desta situação foram mantidas incomunicáveis e obrigadas a assinar documentos através dos quais se comprometiam a não participar mais de protestos.

 

Uma equipe dirigida pela alta comissária adjunta Kyung wha Kang permanecerá pronta para viajar à Síria assim que for autorizada, enquanto um segundo grupo de especialistas se encontra atualmente na Turquia, onde milhares de sírios buscaram refúgio.

 

Em sua conclusão, a instituição da ONU ressalta que as denúncias de violações dos direitos fundamentais requerem que as investigações prossigam e que se garanta a sanção dos responsáveis.

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