Repressão no Iêmen mata ao menos 40 em protestos

Presidente Saleh decreta estado de emergência depois do pior ataque aos manifestantes que exigem sua renúncia

, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2011 | 00h00

Forças de segurança e partidários do governo do Iêmen abriram fogo ontem contra manifestantes na capital iemenita, Sana, matando pelo menos 40 pessoas, de acordo com o médico de um hospital próximo do local. A repressão não conseguiu acabar com o protesto, um dos maiores já observados no centro da cidade.

O presidente Ali Abdullah Saleh decretou estado de emergência logo após o violento confronto. Ele negou que as forças de segurança estivessem envolvidas.

O nível de violência foi superior ao visto em confrontos anteriores, comuns nas grandes manifestações que há semanas exigem a saída do presidente Abdullah Saleh. A nova tática preocupa porque o Iêmen, país destroçado pelas guerras, abriga um dos movimentos afiliados da Al-Qaeda mais ativos e é um aliado americano na luta contra o terrorismo. O presidente Obama condenou os atos de violência num comunicado, exortando o presidente Saleh a "cumprir sua promessa pública de que deixaria que as manifestações se realizassem pacificamente".

A maioria das pessoas mortas foi ferida por balas na cabeça ou no pescoço, segundo os médicos. Apesar do alto número de vítimas, os manifestantes em Sana mantiveram o controle de um longo trecho da Ring Road, que se estende da Universidade de Sana até um viaduto sobre a rodovia principal.

As forças de segurança que se concentraram retaguarda da manifestação começaram então a se retirar para o centro da cidade, lançando gás lacrimogêneo enquanto centenas de manifestantes as perseguiam atirando pedras. Pessoas que observavam o movimento da janela de apartamentos jogavam cebolas para que os manifestantes aliviassem os efeitos do gás lacrimogêneo.

A violência teve início após as orações do meio-dia. À medida que se levantavam os opositores, partidários do governo abriam fogo dos tetos e janelas das casas. Muitas vítimas, envolvidas em lençóis cheios de sangue, eram levadas para uma mesquita transformada em um hospital improvisado. / NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.