AP Photo/Chiang Ying-ying
AP Photo/Chiang Ying-ying

República Checa defende democracia em Taiwan sob protestos da China

Presidente do Senado checo, Milos Vystrcil, fez duras críticas às políticas autoritárias de Pequim e sua agressiva política externa durante discurso no Parlamento taiwanês

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 00h59

TAIPÉ - Em um aberto desafio à China, o presidente do Senado da República Checa, Milos Vystrcil, discursou nesta terça-feira ao Parlamento taiwanês fez duras críticas às políticas autoritárias de Pequim e sua agressiva política externa. Vystrcil concluiu sua fala, na qual destacou os valores democráticos compartilhados entre a República Checa e Taiwan, afirmando em mandarim "eu sou taiwanês", aludindo ao famoso discurso anticomunista do presidente John F. Kennedy de 1963, em uma então dividida Berlim, no qual declarou "sou um berlinense".

O ministro chinês de Relações Exteriores, Wang Yi, advertiu que questionar que Taiwan pertence à China é uma "ingerência em questões internas" de seu país e supõe "cruzar uma linha vermelha". Em visita à Alemanha, Wang ressaltou que Taiwan é uma parte inalienável do território chinês, ao condenar as palavras do presidente do Senado da República Checa.

Pequim está furiosa com a visita da delegação checa a Taiwan e convocou o embaixador da República Checa para dizer que ela representa um "apoio flagrante à independência de Taiwan".

Segundo o ministro chinês de Relações Exteriores, desafiar o princípio de "uma só China" no que diz respeito à questão de Taiwan é uma tentativa de ir contra os 1,4 bilhão de chineses, além de uma ação que viola as leis e regulamentos internacionais.

Wang também manifestou discordâncias da China sobre várias questões com a Alemanha e a União Europeia em uma tensa entrevista coletiva após uma reunião com seu colega alemão, Heiko Maas. Wang disse que seu país "deve defender decididamente sua integridade territorial e sua soberania". Para ele, a China não é quem causa problemas, mas as ações do outros a obrigam a reagir.

A visita de Vystrcil ocorre após um desentendimento no ano passado entre Pequim e Praga, a capital da República Checa. As duas cidades encerraram um acordo de cidades irmãs, pois Pequim queria que Praga concordasse com o princípio de "uma só China".

 

A visita também está em oposição direta ao presidente checo, Milos Zeman, que tem tomado posições fortemente pró-China. Vystrcil participou de um fórum econômico e deve se encontrar com a presidente de Taiwan, Tsai Ing-Wen, no final de semana.

A crescente interferência da China em Hong Kong preocupa Taiwan, ilha de 23 milhões de habitantes. Pequim considera Taiwan uma província rebelde que deveria voltar ao seu domínio, até pela força se for necessário. Taiwan, para onde fugiram os nacionalistas de Chian Kai-shek após a Revolução Comunista, teme que a China tente transformar a ilha em uma "próxima Hong Kong". 

No final de junho, a China impôs uma lei de segurança nacional na ex-colônia britânica e dezenas de ativistas pró-democracia foram detidos, ao mesmo tempo em que vários candidatos de oposição foram desqualificados das eleições. 

A medida foi vista como a ação mais ousada de Pequim para minar a autonomia "um país, dois sistemas" de Hong Kong (determinada após sua devolução à China em 1997) e uma resposta aos protestos pró-democracia que ocorrem desde o ano passado no território. / AP e EFE

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