República Checa desiste de escudo antimísseis americano

De acordo com Praga, sistema dos EUA não é mais necessário após redesenho de defesa antiaérea da Otan

AP, com Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2011 | 00h00

O governo da República Checa anunciou ontem que desistiu dos planos de permitir a instalação de um escudo antimísseis dos EUA em seu território. O sistema, proposto no governo do ex-presidente George W. Bush e remodelado na gestão de Barack Obama, serviria para defender os países da Europa de possíveis ataques do Irã. O plano original era criticado pela Rússia, que via nele uma ameaça a suas instalações militares.

De acordo com o ministro da Defesa checo, Alexander Vondra, o país desistiu de abrigar os radares americanos. "Resolvemos a questão de uma maneira elegante", disse, após encontro com o subsecretário de Defesa dos EUA, William Lynn. "Podemos retomar (a participação no projeto) no futuro, mas é prematuro discutir isso agora."

A justificativa oficial para a desistência checa foi o fato de a adoção do sistema americano não ser mais necessária por causa do novo projeto de defesa antimísseis aprovado na última conferência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Lisboa, no ano passado. "Nossa oferta foi ultrapassada pelos fatos", disse Lynn. "O encontro de Lisboa mudou a natureza do projeto de defesa antimísseis em que estamos trabalhando."

Reação. O atual plano de Obama prevê a instalação de radares em terra e no mar. Os equipamentos deveriam ser instalados em alguns países do Leste Europeu, como Romênia e Polônia. Além disso, os americanos enviaram para o Mar Mediterrâneo o porta-aviões USS Monterrey, capaz de interceptar e derrubar mísseis.

Nos bastidores, diplomatas próximos ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, comemoraram a decisão. Para um deles, a desistência checa é um sério golpe ao projeto americano de criar um escudo antimísseis no Leste Europeu.

"Não podemos dizer que estamos tristes com a notícia", afirmou ao Estado um dos assessores mais próximos de Putin, que ontem esteve em Genebra. Oficialmente, o governo russo limita-se a condenar a estratégia americana e tenta pressionar Washington a encerrar o projeto.

Ontem, Moscou ganhou apoio da China e de outros países da Ásia Central. Em um encontro em Astana, no Casaquistão, os líderes desses países advertiram que a iniciativa seria uma "ameaça à estabilidade estratégica mundial". Parte do Parlamento russo encarou com suspeitas o anúncio de Praga. Para alguns deputados, o recuo seria uma declaração sem efeito prático.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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