Nicholas Kamm/AFP PHOTO
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Republicano acusa equipe de Trump de inviabilizar acordos migratórios

Senador que votou contra acordo que estendia gastos para evitar a paralisação do governo federal afirma que assessores do presidente impedem avanços; falta de proposta sobre imigração torna difícil aprovar o projeto

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2018 | 21h30

O senador republicano Lindsey Graham acusou neste domingo, dia 21, um dos principais assessores do presidente Donald Trump na Casa Branca de inviabilizar qualquer acordo sobre imigração, o que está na origem da paralisação do governo iniciada sábado, no dia em que o presidente completou um ano no cargo.

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O alvo de Graham, um dos mais proeminentes parlamentares do Partido Republicano, é Stephen Miller, conselheiro de Trump que defende posições extremas em relação à imigração, como a redução pela metade do número de estrangeiros que são aceitos legalmente pelos EUA por ano. Segundo Graham, a visão de Miller nunca teve apoio da maioria do Senado.

“Nós nunca chegaremos lá enquanto abraçarmos conceitos que não podem de nenhuma maneira ter 60 votos no Senado. Um dos conceitos que rejeito é o de que temos muita imigração legal”, afirmou Graham, um dos republicanos que votaram contra a proposta de autorização temporária de gastos que manteria o governo aberto. 

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Os democratas e alguns senadores republicanos rejeitaram o acordo por ele não abranger uma proposta para o futuro de 690 mil jovens atendidos pelo DACA, programa do ex-presidente Barak Obama que suspendeu deportações de imigrantes ilegais que chegaram ao país quando crianças. Trump anunciou que a proteção acabará em março, caso o Congresso não aprove lei sobre o assunto.

Graham também criticou a falta de liderança da Casa Branca nas negociações sobre o tema e disse que assessores de Trump dificultam avanços nas conversas. “Eu tenho falado com o presidente e seu coração está correto nessa questão”, disse Graham, que se aproximou de Trump nos últimos meses. “Ele tem um bom entendimento do que é aceitável, e cada vez que temos uma proposta ela é descartada por sua equipe.”

Ofensiva. No Twitter, Trump defendeu que os integrantes de seu partido mudem as regras do Senado e acabem com a exigência de 60 votos para que projetos sejam colocados em votação. Chamado de “opção nuclear”, o movimento enfrenta resistência entre republicanos, que o veem como uma garantia para minoria na Casa. A legenda tem 51 dos 100 votos, mas pode perder sua vantagem nas eleições de meio de mandato, em novembro.

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“Os democratas querem que imigrantes ilegais entrem em nosso país de maneira descontrolada. Se o impasse continuar, os republicanos deveriam ir para 51% (Opção Nuclear) e votar um Orçamento real, de longo prazo”, escreveu o presidente. A autorização temporária de gastos é a décima analisada pelo Congresso desde outubro, quando teve início o ano fiscal de 2018. As medidas foram necessárias porque não houve acordo para aprovação de um Orçamento definitivo.

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Trump também pressionou os republicanos a acabarem com a exigência de 60 votos no ano passado, durante a votação da proposta que revogava o Obamacare – rejeitada por uma diferença de apenas um voto após a dissidência de três republicanos. 

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, resistiu à pressão do presidente na época e manteve a mesma posição no domingo, dia 21. “A bancada republicana se opõe a mudanças nas regras sobre legislação.”

Graham integra um grupo de 20 senadores de ambos os partidos que buscavam uma solução para a paralisação do governo no domingo, dia 21. Uma das possibilidades em discussão era aprovar medida que garantisse o financiamento do governo até o dia 8, com o compromisso de negociar nesse período uma proposta sobre os inscritos no DACA.

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