Kevin Lamarcque/Reuters
Kevin Lamarcque/Reuters

Republicano admite que Trump foi monitorado

Segundo o deputado Devin Nunes, comunicações do presidente poem ter sido obtidas em uma vigilância "incidental" nos meses após a eleição

O Estado de S.Paulo

22 de março de 2017 | 22h17

WASHINGTON  - O presidente do Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, um republicano, disse nesta quarta-feira que algumas comunicações pessoais do presidente Donald Trump podem ter sido obtidas em vigilância “incidental” envolvendo uma potência estrangeira nos meses após a eleição.

O deputado Devin Nunes disse que a informação que ele anunciou foi obtida de uma fonte não identificada e coletada legalmente em novembro, dezembro e janeiro –desde a eleição de Trump, em 8 de novembro, até a posse, em 20 de janeiro –, mas os nomes de algumas autoridades de Trump envolvidas foram “desmascarados” e as comunicações amplamente disseminadas dentro de agências de espionagem.

Democratas e alguns republicanos têm discutido sobre a publicação de Trump no Twitter em 4 de março de que sua casa em Nova York, na Trump Tower, teria sido grampeada por seu antecessor, o ex-presidente Barack Obama. Através de um porta-voz, Obama negou a acusação.

Desde então, autoridades da Casa Branca e republicanos, incluindo Nunes, têm dito que Trump falava sobre vigilância geral, e não sobre o que Nunes se referiu como um grampo “físico”.

Trump disse nesta quarta-feira que se sentiu “de alguma maneira” vindicado pelo anúncio de Nunes.

Nunes fez o anúncio durante entrevista coletiva dois dias após o diretor do FBI, James Comey, confirmar em audiência ao comitê que o FBI estava realizando uma investigação criminal sobre possíveis ligações entre associados de Trump e a Rússia, e Moscou tentou influenciar o resultado da eleição americana de 2016 para beneficiar Trump.

“Eu recentemente confirmei que, em diversas ocasiões, a comunidade da inteligência... coletou informações sobre cidadãos americanos envolvidos na transição de Trump”, disse Nunes, que foi membro da equipe de transição de Trump.

“Tudo é informação sigilosa”, declarou Nunes a repórteres.

A entrevista coletiva aparentava ser ligada à argumentação de Trump sobre ter sido “grampeado”, assim como uma linha de questionamentos de republicanos durante audiência de segunda-feira sobre a importância de identificar e processar os responsáveis por vazamentos da inteligência.

Republicanos também concentraram grande parte de suas discussões da questão sobre a divulgação de nomes, ou o ato de “desmascarar” associados de Trump na investigação. Trump demitiu seu ex-assessor de Segurança Nacional, o general Mike Flynn, após ser revelado que ele conversou com o embaixador russo Sergey Kislyak.

Democratas do Comitê de Inteligência da Câmara disseram não terem sido consultados sobre a informação antes da entrevista coletiva.

“Quero ser claro, nenhuma vigilância era relacionada à Rússia ou à investigação de atividades russas ou da equipe de Trump”, disse Nunes. No entanto, ele afirmou posteriormente que não pode ter certeza de que outra informação existia em outro lugar relacionada à Rússia.

Agências de inteligência dos EUA acusaram a Rússia de buscar influenciar a eleição presidencial em favor de Trump contra a candidata democrata, Hillary Clinton, ao hackear sistemas de computadores e espalhar informações falsas. A Rússia nega as acusações. / REUTERS

 

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