REUTERS/Lucas Jackson
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Republicano decide recusar dinheiro de grandes doadores

Ao financiar a própria campanha, Donald Trump aumenta apelo entre aqueles que rejeitam os políticos tradicionais

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

07 Setembro 2015 | 05h01

Dono de uma fortuna de pelo menos US$ 4 bilhões, Donald Trump decidiu financiar sua própria campanha e recusar dinheiro de grandes doadores, o que aumenta seu apelo entre os que rejeitam os políticos tradicionais. Como empresário, ele já esteve do outro lado e usou sua carteira para ter boas relações com os ocupantes do poder e influência sobre seus atos.

“Com Hillary Clinton eu disse ‘esteja no meu casamento’ e ela foi ao meu casamento. E você sabe por quê? Ela não tinha escolha, porque eu doei”, disse Trump no debate entre pré-candidatos republicanos realizado no mês passado. 

A ex-secretária de Estado e pré-candidata democrata à presidência estava na primeira fila da cerimônia do terceiro casamento de Trump, realizada em 2005 em Palm Beach, na Flórida. Além de contribuir para a campanha de Hillary ao Senado, em 2000, ele também doou US$ 100 mil para a Fundação Clinton.

“Eu doei para muitas pessoas antes disso”, observou o bilionário no debate. “Quando eles ligam, eu dou. E você sabe que, quando eu preciso de alguma coisa deles dois anos mais tarde, três anos mais tarde, eu ligo para eles. E eles estão lá para mim.”

O Partido Republicano a que Trump se filiou é o principal defensor do fim de restrições ao financiamento de campanhas eleitorais nos EUA. Organizações conservadoras iniciaram ações que levaram a Suprema Corte a flexibilizar os limites de doações e abrir caminho para o surgimento dos chamados “Super PACs” – grupos supostamente independentes que podem arrecadar recursos sem restrições. Em tese, eles não são vinculados a nenhum candidato, mas acabam bancando publicidade que beneficia um participante da disputa ou ataca seus adversários.

Trump disse que só aceitará pequenas doações (inferiores a US$ 200), mas afirmou que não tem controle sobre a criação de “Super PACs” por seus apoiadores. Esses grupos se multiplicaram a partir de 2010 e ampliaram a influência dos grandes doadores nas campanhas. A eleição presidencial do próximo ano será a mais cara da história dos EUA, com alguns analistas prevendo gastos de US$ 5 bilhões, o dobro do registrado em 2012, quando Barack Obama derrotou o republicano Mitt Romney.

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