Republicano Powell anuncia apoio a democrata

Ex-secretário de Estado do governo Bush critica McCain e diz que Obama é melhor escolha para a Casa Branca

Lourival Sant?Anna, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

20 de outubro de 2008 | 00h00

Líder em todas as pesquisas de intenção de voto, o senador democrata Barack Obama recebeu ontem uma importante declaração de apoio do general da reserva Colin Powell, ex-secretário de Estado do presidente George W. Bush. Ao apoiar Obama, o general, ex-chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, que continua considerando-se republicano, não só avalizou a capacidade do jovem senador negro de ser o comandante-chefe e de conduzir a política externa do país, como criticou duramente a campanha do senador John McCain, seu amigo há 25 anos. Veja a disputa Estado por EstadoÀ pergunta sobre a falta de experiência de Obama em temas de defesa e política externa, Powell respondeu que o senador de 47 anos, em primeiro mandato, "sabe que não tem experiência, educou-se nos últimos dois anos e hoje fala com autoridade". Além disso, acrescentou, "deverá cercar-se de pessoas qualificadas"."Obama demonstrou firmeza, curiosidade intelectual e conhecimento em profundidade, e está pronto para ser presidente desde o primeiro dia", enfatizou Powell, em entrevista ao programa Meet the Press, da rede de TV NBC. "Obama é mais includente, ele atravessa as linhas raciais e geracionais", continuou o general, que no fim dos anos 90 foi cogitado como o primeiro candidato negro a presidente pelo Partido Republicano. "Não é fácil para mim desapontar McCain, mas precisamos de uma figura transformacional, de uma mudança geracional."O general, que tem bastante simpatia dos conservadores moderados, declarou-se "perturbado" com o fato de a campanha de McCain, em vez de dedicar-se a "temas centrais", como economia e educação, insistir na ligação entre Obama e o ex-terrorista Bill Ayers, cujo grupo Weather Underground promoveu atentados à bomba nos EUA nos anos 60. Professor na Universidade de Illinois, Ayers mora no mesmo bairro que Obama em Chicago e ambos estiveram no conselho da entidade Woods Fund, que presta assistência aos pobres, até dezembro de 2002, quando o senador se retirou."McCain não tem uma compreensão completa dos problemas econômicos", salientou o general, acrescentando que é isso o que "importa para o povo americano". Powell também desaprovou a escolha da governadora do Alasca, Sarah Palin, para vice na chapa de McCain: "Não acredito que ela esteja preparada para ser presidente dos EUA." McCain tem 72 anos e sofreu quatro incidências de câncer de pele, a última em 2002. Powell afirmou ainda estar "desapontado" com o fato de o seu partido ter-se "encaminhado para a direita". E acrescentou que não gostaria que mais juízes conservadores fossem apontados para a Suprema Corte, como ocorreria, segundo ele, se McCain fosse eleito. Após a entrevista, Obama, em campanha na Carolina do Norte, telefonou a Powell para agradecer o apoio e dizer que gostaria de contar com sua assessoria, caso se eleja. Na TV, Powell disse que não aspira a nenhum cargo no governo, mas está pronto a dar suas opiniões ao próximo presidente, caso lhe peça.Na primeira pesquisa do Gallup após o debate de quarta-feira, Obama voltou a abrir 10 pontos de vantagem sobre McCain, com 52% a 42% das intenções de voto. Já numa pesquisa do Instituto Zogby, Obama vence por 48% a 45%. Na média das pesquisas, segundo o site Realclearpolitics, Obama lidera por 48,9% a 43,9%.

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